A espanhola Aena venceu nesta segunda-feira (30) o leilão de venda assistida do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, garantindo a concessão do terminal até maio de 2039.
O certame foi realizado na B3, em São Paulo, e contou com a participação de outros interessados, como o Zurich Airport e o consórcio RIOgaleão, hoje a frente do aeroporto. O valor mínimo de outorga havia sido fixado em R$ 932,8 milhões, o que resultou em um ágio de mais de 200% após a disputa.
A operação marca a saída dos atuais controladores do aeroporto, a concessionária RIOgaleão — formada pela Vinci Airports e pela Changi Airports — e da Infraero, que detêm respectivamente 51% e 49% do ativo. Com a venda assistida, a nova operadora assumirá integralmente a concessão após a conclusão das etapas regulatórias, prevista para o segundo semestre de 2026.
O Galeão é o terceiro aeroporto mais movimentado do país, com 17,8 milhões de passageiros em 2025, sendo 5,7 milhões em voos internacionais. Ele só está atrás de Guarulhos e Congonhas, este sob responsabilidade da mesma Aena. O terminal também tem relevância no transporte de cargas, com cerca de 68 mil toneladas movimentadas no período.
Apesar da capacidade instalada de até 37 milhões de passageiros por ano, o aeroporto ainda opera abaixo desse nível, embora o fluxo tenha apresentado recuperação recente, com crescimento superior a 20% em relação a 2024.

O novo contrato não prevê obrigação de investimentos adicionais relevantes em infraestrutura, uma vez que a capacidade atual é considerada suficiente para atender à demanda esperada até o fim da concessão.
Com a incorporação do Galeão, a Aena passa a operar 18 aeroportos no Brasil, consolidando-se como a maior concessionária do país em número de ativos. Entre eles estão terminais estratégicos como Congonhas, em São Paulo, e Recife, no Nordeste.
A empresa já atua no Brasil desde 2020, inicialmente com aeroportos do Nordeste, e expandiu sua presença em 2022 ao assumir novos terminais em estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará. A estratégia da operadora é baseada em um modelo de rede, que combina grandes hubs com aeroportos regionais para ganho de eficiência operacional.
O leilão do Galeão ocorre após a reestruturação do contrato original de concessão, firmado em 2013, que passou por ajustes negociados entre governo federal, concessionária e Tribunal de Contas da União para tornar o ativo mais atrativo ao mercado.
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