A Embraer afirmou que o programa de conversão de E190 de passageiro para cargueiro (P2F) começou a ganhar impulso após a entrada da aeronave em operação comercial na Europa no início deste ano.
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, o CEO Francisco Gomes Neto afirmou que o cargueiro E190 passou a atrair maior interesse do mercado de carga, especialmente no segmento de comércio eletrônico.
“Sim, agora temos um cliente iniciando operações com o cargueiro E190”, disse Gomes Neto. “Isso ajudará a apresentar o produto e acreditamos que é uma excelente opção para o e-commerce, em especial.”
O executivo acrescentou que a Embraer tem “boa expectativa em relação às vendas futuras do cargueiro E190”.
Dados de rastreamento de aeronaves e bancos de dados de frota indicam que apenas um E190F está operacional no momento. A aeronave, matrícula 9H-BRD, entrou em serviço em março pela Bridges Air Cargo, de Malta, sob leasing da Regional One, dos Estados Unidos.

O cargueiro convertido, número de série 19000360, foi entregue originalmente à TACA International Airlines em 2010 e depois integrou a frota da Avianca El Salvador. Foi retirado do serviço de passageiros em 2019 e convertido em São José dos Campos, Brasil.
Um segundo avião, N988TA, também foi convertido para a configuração E190F, mas ainda não entrou em operação. O jato foi apresentado publicamente no Dubai Airshow em 2025 e também deve ser incorporado à Bridges Air Cargo.
A Embraer lançou o programa E-Freighter em 2022, com planos de converter jatos regionais E190 e E195 em cargueiros, mirando um segmento de mercado entre cargueiros turboélice mais lentos, como o ATR 72F, e jatos cargueiros de fuselagem estreita maiores, como o Boeing 737 convertido.
Posteriormente, a fabricante ajustou o programa após uma resposta de mercado abaixo do esperado. Em discussões anteriores de resultados, Gomes Neto confirmou que a Embraer suspendeu temporariamente o desenvolvimento da conversão do E195F para concentrar esforços na entrada em serviço do E190F.

Embora a Embraer não tenha reconhecido publicamente uma demanda fraca, fontes do setor apontam diversos desafios para o programa. A forte recuperação do tráfego de passageiros após a pandemia elevou a demanda por E-Jets usados, reduzindo a oferta de aeronaves disponíveis para conversão. Ao mesmo tempo, o custo das modificações de passageiro para cargueiro teria limitado a vantagem econômica da aeronave para alguns operadores.
Ainda assim, o E190F ocupa um nicho pouco explorado no mercado de carga, oferecendo maior velocidade e capacidade de carga do que cargueiros turboélice, mantendo-se menor que jatos de fuselagem estreita convertidos da Boeing e Airbus.



