A LATAM Airlines reportou lucro líquido de US$ 576 milhões (quase R$ 2,8 bilhões) no primeiro trimestre de 2026, um resultado 62% maior que no mesmo período do ano passado. Na prática, isso indica que a companhia conseguiu não apenas crescer, mas também melhorar sua rentabilidade mesmo com custos pressionados.

A receita total chegou a US$ 4,15 bilhões, alta de 21,7%. Esse avanço foi puxado principalmente pelo transporte de passageiros, que cresceu mais de 24%, refletindo tanto maior demanda quanto tarifas mais altas. O dado mais relevante aqui é o RASK, que subiu 12,7%: isso mostra que a LATAM conseguiu extrair mais receita por assento voado, algo que normalmente está ligado a preços mais firmes e maior procura por voos.

Do lado operacional, a companhia aumentou a capacidade em 10,4% e transportou 22,9 milhões de passageiros. Mesmo com mais voos, o fator de ocupação subiu para 85,3%. Em termos práticos, significa que os aviões voaram mais cheios, o que dilui custos e melhora a eficiência.

Boeing 767F da LATAM (LATAM)
Boeing 767F da LATAM (LATAM)

A margem operacional ajustada atingiu 19,8%, o melhor nível já registrado pela empresa. Isso indica que uma parcela maior da receita está sendo convertida em lucro operacional, resultado de uma combinação de tarifas mais altas, controle de custos e maior ocupação.

Os custos, porém, também cresceram. As despesas totais subiram 17,3% e o custo por assento excluindo combustível (CASK ex-fuel) avançou 12%. Isso mostra que operar ficou mais caro mesmo sem considerar o querosene, refletindo pressões como câmbio e custos operacionais em diferentes mercados.

Frota também seguiu em expansão

A LATAM recebeu quatro aeronaves da família A320neo no trimestre e terminou março com 375 aviões. Esse crescimento acompanha o aumento de capacidade e indica continuidade da estratégia de expansão, especialmente em rotas internacionais e no Brasil.

No caixa, a empresa gerou US$ 391 milhões no período e encerrou o trimestre com liquidez de US$ 4,1 bilhões. Isso significa que a LATAM mantém uma reserva robusta para enfrentar oscilações de mercado, com alavancagem líquida em 1,3 vez, um nível considerado confortável para o setor.

Para o restante de 2026, o cenário muda principalmente por causa do combustível. A companhia revisou suas projeções e agora espera EBITDA entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões, com custo por assento ex-combustível entre 4,50 e 4,70 centavos de dólar.

Boeing 787-9 da LATAM (LATAM)
Boeing 787-9 da LATAM (LATAM)

O ponto central é o preço do querosene de aviação. A LATAM passou a considerar US$ 170 por barril no segundo e terceiro trimestres, recuando para US$ 150 no quarto. Esse aumento está ligado à escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o preço do petróleo e, consequentemente, do combustível de aviação.

Na prática, isso tem impacto direto nas contas. Só no segundo trimestre, a empresa projeta um custo adicional superior a US$ 700 milhões com combustível. Mesmo com medidas como ajustes de capacidade, gestão de tarifas e hedge, a expectativa é de uma margem operacional bem mais baixa, em um dígito médio a baixo.

Esse contraste entre um primeiro trimestre forte e um segundo mais pressionado indica que, embora a demanda continue sólida, o desempenho financeiro da LATAM em 2026 dependerá cada vez mais de fatores externos, especialmente o preço do combustível.