O Grupo Lufthansa apresentou melhora no desempenho financeiro no primeiro trimestre de 2026, com receita 8% maior, totalizando €8,7 bilhões, enquanto o prejuízo operacional diminuiu em relação ao mesmo período do ano anterior.

O grupo registrou prejuízo operacional ajustado (EBIT) de €612 milhões, ante perda de €722 milhões um ano antes. Na prática, a empresa ainda operou no vermelho no trimestre — algo típico para a época do ano —, mas perdeu consideravelmente menos dinheiro do que antes. O prejuízo líquido também recuou, de €885 milhões para €665 milhões.

Um dos sinais mais claros de recuperação é a demanda. As companhias aéreas do grupo preencheram mais assentos, com taxa de ocupação subindo para 81,9%, e geraram mais receita por passageiro. Esse movimento ficou especialmente evidente em março, quando a demanda aumentou após a redução da oferta de voos no Oriente Médio, levando viajantes a optarem por conexões em hubs europeus.

Essa mudança ajudou a Lufthansa a compensar rotas que não pôde operar na região. O grupo também ampliou voos para Ásia e África, onde a demanda cresceu. As cabines premium tiveram bom desempenho, indicando que passageiros de maior poder aquisitivo continuam viajando apesar das incertezas globais.

Os custos, porém, seguem como preocupação. Excluindo combustível, o custo unitário subiu 2,5%, principalmente devido a salários mais altos e depreciação. O combustível é o maior desafio: o conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, impactando diretamente as despesas das companhias aéreas.

Carsten Spohr, chefão da Lufthansa (Lufthansa)
Carsten Spohr, chefão da Lufthansa (Lufthansa)

O grupo estima que o aumento do preço do querosene pode adicionar cerca de €1,7 bilhão em custos extras em 2026. Mesmo com cerca de 80% das necessidades de combustível protegidas, o impacto sobre as margens ainda é significativo.

Fora do transporte de passageiros, outras divisões também contribuíram para os resultados. A Lufthansa Cargo elevou o lucro operacional para €83 milhões, beneficiada por maior demanda e melhores tarifas, especialmente no fim do trimestre. A Lufthansa Technik, unidade de manutenção e reparo, manteve estabilidade com lucro operacional de €158 milhões, sustentada pela demanda contínua de companhias aéreas em todo o mundo.

A geração de caixa também melhorou. O fluxo de caixa livre ajustado cresceu 65%, atingindo €1,4 bilhão, impulsionado por operações mais fortes e menor investimento em capital. A dívida líquida caiu para €5,3 bilhões, ante €6,4 bilhões no fim de 2025, indicando posição financeira mais sólida.

A Lufthansa projeta demanda forte, especialmente durante a alta temporada de verão. Ao mesmo tempo, reconhece aumento da incerteza, principalmente devido ao preço do combustível e riscos geopolíticos.

O grupo ainda espera registrar lucro operacional anual superior ao de 2025, mas admite que o resultado pode ficar abaixo das expectativas anteriores, já que trabalha para compensar o aumento do custo do combustível com ajuste de tarifas, mudanças na malha e controle de despesas.