A Embraer assinou um memorando de entendimento com a Essential Energy Holding, grupo argentino que controla a usina Bioenergías Agropecuárias, para avaliar a viabilidade de operar o avião agrícola Ipanema no mercado argentino, segundo o Globo Rural.

O acordo prevê estudos sobre a demanda potencial pelo modelo, a disponibilidade de etanol, a logística de abastecimento e a infraestrutura necessária para sustentar operações regulares no país.

O Ipanema é o modelo mais antigo ainda em produção pela Embraer. Desenvolvido pela própria empresa no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o avião construiu uma trajetória praticamente restrita ao mercado brasileiro.

Diferentemente dos jatos comerciais e executivos atualmente fabricados pela Embraer, o Ipanema nunca teve uma presença internacional relevante, apesar da demanda constante no Brasil.

Desde 2004, o avião é produzido com motor movido a etanol. Em 2015, a Embraer deixou de fabricar a versão a gasolina e passou a oferecer exclusivamente o modelo com biocombustível. A decisão foi motivada inicialmente pelo menor custo operacional para o produtor rural, em um contexto de ampla oferta de etanol no Brasil, e mais tarde passou a incorporar também aspectos ambientais.

Ipanema chega 1.700 aviões entregues (Embraer)
Ipanema chega 1.700 aviões entregues (Embraer)

A limitação histórica para a operação do Ipanema fora do país sempre esteve ligada ao combustível. Fora do Brasil, a oferta de etanol em escala nacional é restrita, o que dificulta o uso contínuo da aeronave em atividades agrícolas. A parceria com uma produtora argentina busca verificar se, em mercados específicos, esse obstáculo pode ser contornado com produção local e distribuição dedicada.

Nos últimos anos, a Embraer ampliou o diálogo com empresas e entidades do setor agrícola em outros países da América Latina. Em 2025, representantes de Argentina, Paraguai, Uruguai e México visitaram a fábrica do Ipanema, em Botucatu, para conhecer o processo produtivo e as características da aeronave. A partir dessas conversas, surgiram iniciativas para avaliar operações fora do Brasil.

Um movimento recente ocorreu no Paraguai, onde um produtor rural passou a operar o Ipanema após obter autorização específica da autoridade aeronáutica local. Posteriormente, o uso do modelo foi liberado em todo o território do país. Na Argentina, a Embraer aguarda a autorização das autoridades para viabilizar a operação da aeronave.

Atualmente, o Ipanema é vendido no Brasil por cerca de R$ 4 milhões. A expectativa é que o preço no mercado argentino siga patamar semelhante, ajustado ao câmbio. A Embraer também afirma que, no curto prazo, drones agrícolas não competem diretamente com o avião, citando diferenças significativas de capacidade de carga e produtividade, embora reconheça que veículos não tripulados maiores estão em desenvolvimento.