A Embraer pagou cerca de US$ 80 milhões em tarifas nos EUA impostas em 2025 antes que a medida fosse derrubada no início deste ano, com a maior parte do impacto recaindo sobre a divisão de jatos executivos da empresa.
De acordo com o CFO da Embraer, Antonio Carlos Garcia, aproximadamente 85% das tarifas pagas desde abril de 2025 estavam relacionadas às exportações de aeronaves de negócios para os Estados Unidos.
As tarifas foram impostas pelo governo Trump, mas foram encerradas em 24 de fevereiro de 2026, após uma decisão da Suprema Corte dos EUA que anulou as tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.
Mesmo após a decisão, a Embraer afirmou que ainda possui estoque de aeronaves sobre as quais as tarifas já foram pagas. Executivos da empresa indicaram que a questão será gerida ao longo do ano e já foi incorporada nas projeções financeiras.

O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que a remoção das tarifas restaura as condições competitivas no mercado, observando que o fabricante brasileiro havia sido o único produtor de aeronaves a pagar tributos sobre exportações para os Estados Unidos.
A empresa ainda não decidiu se tentará recuperar os fundos pagos sob a política tarifária.
O impacto foi concentrado na divisão de aviação executiva da Embraer, que representa cerca de 30% da receita total da empresa. Apesar dos custos adicionais, o segmento manteve os níveis de entrega em 2025.
A Embraer entregou 155 jatos executivos no ano passado e espera entregar entre 160 e 170 aeronaves em 2026. A empresa encerrou 2025 com uma carteira de pedidos de jatos executivos de US$ 7,8 bilhões, acima dos US$ 7,4 bilhões do ano anterior.
A receita do quarto trimestre no segmento de jatos executivos alcançou US$ 750 milhões, um aumento de 20% em comparação com o mesmo período de 2024, apoiada por volumes de entrega mais altos e preços.
Executivos afirmaram que as condições da cadeia de suprimentos começaram a melhorar, embora alguns gargalos de produção permaneçam. A Embraer tem trabalhado para aumentar a eficiência em suas linhas de montagem e expandir a capacidade em áreas que anteriormente restringiam a produção.
De acordo com Gomes Neto, os prazos de produção melhoraram significativamente nos últimos anos, com os jatos Praetor e Phenom agora sendo montados em aproximadamente metade do tempo necessário em 2021.
Aviação Executiva

