O Aeroporto Internacional Tom Jobim, conhecido como Galeão, deverá elevar o número de passageiros dos atuais 18 milhões para 30 milhões em três anos, conforme estimativa divulgada pelo ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. A previsão foi revelada em meio a um novo acordo firmado entre o governo federal e a concessionária RIOgaleão, formalizado em cerimônia realizada no terminal na semana passada.

A concessão do Galeão foi iniciada em 2014, com um lance de R$ 19 bilhões e atualmente é controlada pelo grupo RIOgaleão, que tem Changi e Vinci como acionistas majoritários com 51% de participação. A Infraero detém os 49% restantes e anunciou a intenção de vender sua participação, acompanhando a reestruturação do setor.

A repactuação do contrato, validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e outros órgãos de controle, prevê que a outorga anual do aeroporto passará a ser calculada com base em 20% do faturamento bruto, substituindo o modelo anterior de valor fixo. A medida busca adequar a sustentabilidade financeira da concessão diante de mudanças de demanda e perspectivas de mercado.

A venda assistida do Galeão está programada para março de 2026, com lance mínimo definido em R$ 932 milhões. Até 5 de novembro, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realiza consulta pública para receber sugestões sobre o edital do leilão. A repactuação também prevê ajustes no teto de passageiros do aeroporto Santos Dumont, que será flexibilizado gradualmente a partir de março do próximo ano.

Aeroporto do Galeão (RIOGaleão)
Aeroporto do Galeão (RIOGaleão)

A Infraero, que ainda opera 49% do Galeão, deverá concentrar suas atividades em aeroportos regionais após a conclusão do processo de venda. O Santos Dumont, outro aeroporto do Rio de Janeiro, permanece sob controle estatal e está recebendo investimentos de R$ 450 milhões, segundo informações do Ministério de Portos e Aeroportos.

O acordo entre governo e concessionária teve como um dos objetivos retomar o crescimento do Galeão, impactando diretamente a malha aérea do Rio de Janeiro e a distribuição do fluxo de passageiros entre os principais terminais do estado.

A expectativa é que o novo modelo de concessão e os ajustes regulatórios viabilizem o aumento do fluxo de passageiros no Galeão e atraiam mais operadores para o leilão marcado para 2026. O processo é acompanhado por órgãos de controle e pelo setor aéreo, atento aos efeitos sobre a concorrência, rotas e investimentos em infraestrutura aeroportuária na região.