A ANAC, agência nacional de aviação civil, determinou nesta semana que o Aeroporto de Fernando de Noronha deixe de operar com jatos a partir do dia 12 de outubro.

A medida foi justificada por conta das condições da pista do aeroporto, que apresenta degradação desde 2019, quando foi feita inspeção pela ANAC.

Segundo a agência, a atual administradora, Dix Empreendimentos, não havia realizado "a restauração do pavimento, apenas intervenções paliativas com aplicação de asfalto tipo pré-misturado a frio, e resultados de ensaios indicaram o comprometimento funcional da superfície do pavimento".

Como não há aderência adequada da manta asfáltica, o movimento de aeronaves a jato provoca o desprendimento da superfície, daí a razão para restringir as operações.

A restrição parcial foi recebida pelas companhias aéreas que operam em Fernando de Noronha nesta quarta-feira, 5. A Azul afirmou que "está trabalhando em um plano de contingência para minimizar os impactos causados aos Clientes e residentes da ilha".

A empresa deverá substituir os jatos E195-E2 pelos seus turboélices ATR 72, que estão autorizados a continuar operando. Já a Gol, que voa com o Boeing 737, não possui aeronaves compatíveis com as novas condições da pista - a companhia não havia emitido nota a respeito do problema até a publicação deste artigo.

Pista do Aeroporto de Fernando de Noronha tem cerca de 1.900 metros (Google Earth)
Pista do Aeroporto de Fernando de Noronha tem cerca de 1.900 metros (Google Earth)

Investimentos e nova concessão

O governo do estado de Pernambuco comunicou em nota que está tomando medidas para sanar os problemas e que a pista será recuperada em até dois meses, como parte de um investimento de quase R$ 60 milhões.

Ao G1, a Dix afirmou que tentará reverter a decisão até o dia 12, mas reconheceu que o estado da pista é bastante preocupante. A empresa diz ter tapado todos os buracos, mas que a reforma definitiva atrasou por conta de recursos na Justiça.

O Aeroporto de Fernando de Noronha possui uma pista com 1.900 metros de extensão além de instalações bastante modestas. Em setembro, o governo estadual anunciou uma nova concorrência para concessão de 25 anos do terminal e que inclui investimentos significativos na infraestrutura do local.