A LOT Polish Airlines e a Airbus anunciaram uma encomenda de 40 jatos A220 e 44 opções de compra nesta segunda-feira, 16, no Paris Air Show, como era esperado.

A companhia aérea nacional da Polônia vai receber 20 jatos A220-100 (100 a 135 assentos) e 20 A220-300 (120 a 160 lugares) a partir de 2027 e que substituirão sua grande frota de aviões da Embraer.

A encomenda vinha sendo aguardada há anos em meio à disputa entre a fabricante europeia e a Embraer, que oferecia o jato E2, rival do A220.

Cliente lançadora dos E-Jets

A vitória da Airbus tem um sabor amargo para a empresa brasileira já que a LOT foi a cliente lançadora da bem sucedida família de aviões regionais E-Jets e até hoje é uma grande operadora do modelo.

A empresa, inclusive, tem três E195-E2 arrendados há quase um ano, portanto, teve como conhecer a nova geração de jatos Embraer antes da decisão.

Primeiro jato E195-E2 da LOT (Krystian Truszkowski)
Primeiro jato E195-E2 da LOT (Krystian Truszkowski)

A despeito de não possuir nenhum Airbus em sua frota, a companhia aérea polonesa decidiu bancar todo um processo de treinamento de tripulantes e pessoal de terra para dar suporte ao A220, um jato de até 160 assentos que oferece um alcance elevado.

É bastante provável que a fabricante europeia tenha jogado pesado em sua proposta, pedindo um valor mais atraente, mesmo que isso possa ter minado suas margens de lucro.

Isso porque o A220, embora tecnicamente um bom avião, tem decepcionado nas vendas a ponto de ver sua carteira de pedidos encolher nos últimos anos.

O pioneiro E170 de matrícula SP-LDA, entregue em 2004 (Can Pac Swire)
O pioneiro E170 de matrícula SP-LDA, entregue em 2004 (Can Pac Swire)

A aeronave também dáva prejuízos à Airbus, que vem há anos buscando otimizar sua produção.

A concorrência para cerca de 80 aeronaves regionais já vinha sendo gestada pela LOT desde pelo menos 2021, mas protelada em meio a problemas na cadeia de suprimentos.

A empresa aérea estatal possui uma frota principal de jatos Boeing como o 737 e o widebody 787 e pretende expandir sua atuação para enfrentar as low cost Ryanair e easyJet e outras.