Cerca de 3.200 trabalhadores da Boeing Defense aprovaram um novo acordo coletivo nesta quinta-feira, 13, encerrando uma greve de mais de três meses em fábricas no Missouri e em Illinois. O contrato, válido por cinco anos, prevê aumento salarial acumulado de 24% e bônus de assinatura de US$ 6.000, informou o sindicato International Association of Machinists and Aerospace Workers.

A aprovação ocorre após a rejeição de quatro propostas anteriores e marca o retorno dos funcionários às linhas de produção já no domingo. Os trabalhadores atuam na montagem de aeronaves militares, como os caças F-15EX e F/A-18, sistemas de armas e o drone MQ-25 da Marinha dos EUA.

A paralisação impactou especialmente a entrega de caças F-15 para a Força Aérea dos EUA (USAF) e atrasou programas relevantes para a divisão Defense, Space & Security da Boeing, responsável por mais de um terço da receita da empresa. O sindicato buscava equiparação com benefícios conquistados por colegas de Seattle em acordo anterior.

Um dos F-15EX em montagem final (Boeing)
Um dos F-15EX em montagem final (Boeing)

As negociações se concentraram em reajustes salariais e melhorias nos planos de aposentadoria, com impasse sobre bônus e regras de jornada. Durante a greve, a Boeing manteve sua proposta salarial, mas revisou o formato dos incentivos, aumentando o bônus inicial para US$ 6.000 e reduzindo pagamentos posteriores.

“Estamos orgulhosos do que nossos membros conquistaram juntos e prontos para voltar à produção das aeronaves militares mais avançadas do mundo”, declarou o sindicato em nota. A Boeing afirmou: “Estamos satisfeitos com o resultado e ansiosos para reunir toda a equipe novamente”.

O movimento, embora menor que a greve dos trabalhadores de aviação comercial em 2024, pressionou a companhia em um momento de desafios operacionais e escrutínio regulatório, incluindo investigações sobre o 737 MAX. O setor de defesa segue como pilar estratégico diante da necessidade de recuperar margens e estabilidade financeira.