A Aeroflot iniciou o processo de desmanche de oito jatos Boeing, incluindo seis 737-800BCF e dois 747-400F, para obter peças de reposição e manter sua frota operacional em meio a restrições de acesso a componentes de fabricantes ocidentais, de acordo com relatos.
As aeronaves serão transferidas da Volga-Dnepr Airlines para subsidiárias do grupo Aeroflot, como Pobeda e Rossiya Airlines, em um contrato avaliado em aproximadamente 10 bilhões de rublos russos (cerca de R$ 640 milhões), com financiamento do Fundo Nacional de Bem-Estar da Rússia.
A opção pelo desmonte dos cargueiros, uma medida inédita entre companhias aéreas de passageiros russas, após a imposição de sanções internacionais que dificultaram a aquisição e manutenção de aeronaves ocidentais.
O Boeing 737-800BCF, versão convertida do popular jato de passageiros para transporte de carga, e o Boeing 747-400, conhecido por sua capacidade de longo alcance, são modelos amplamente utilizados no setor de aviação comercial e logística.

Antes das sanções, a Rússia contava com uma frota de 1.500 a 1.800 aeronaves comerciais de fabricação ocidental, mas desde então operadores locais perderam acesso a novos aviões e suporte técnico certificado, ampliando a prática de canibalização de peças.
A iniciativa ocorre em um cenário em que partes obtidas fora de canais oficiais podem não contar com garantias dos fabricantes ou registros de manutenção completos, o que pode afetar a segurança e a confiabilidade operacional das companhias.
Segundo projeções de serviços de inteligência ucranianos, a tendência é de que a frota ativa de aeronaves civis russas seja reduzida pela metade até 2026, devido à dificuldade de manutenção e renovação dos equipamentos.
A Volga-Dnepr Airlines, tradicional operadora de carga com mais de 35 anos de atuação, enfrenta restrições semelhantes, tendo visto a filial AirBridge Cargo suspender operações em 2022.
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