A empresa controladora da companhia aérea AirAsia, baseada na Malásia, iniciou negociações com a COMAC da China sobre uma possível aquisição do jato comercial C919. O CEO Tony Fernandes confirmou as discussões, observando que a medida visa atender ao crescente mercado do Sudeste Asiático, que compreende cerca de 700 milhões de pessoas.
O C919, que começou operações comerciais com companhias aéreas chinesas em maio de 2023, foi projetado para transportar entre 158 e 174 passageiros em uma faixa máxima de aproximadamente 3.000 milhas náuticas. Até o momento, a aeronave transportou mais de 1,5 milhão de passageiros em rotas domésticas dentro da China.
Fernandes destacou a adequação do C919 para a rede da AirAsia e afirmou que a transição de pilotos da atual frota da Airbus da companhia seria simples. Embora nenhum cronograma de entrega tenha sido divulgado, Fernandes sugeriu que o processo poderia avançar mais rapidamente do que as expectativas do setor.

“A maior parte do Ocidente não está levando a sério as aeronaves da COMAC; posso te dizer que é uma aeronave fantástica. Estamos levando isso [a possível aquisição] muito a sério”, disse o CEO da AirAsia.
Certificação é desafio
Comparado ao Airbus A320neo, um pilar da frota da AirAsia, o C919 oferece capacidade e alcance ligeiramente inferiores, mas acredita-se que seja mais barato.
O Ministro dos Transportes da Malásia, Anthony Loke, encorajou a COMAC a intensificar seus esforços de marketing internacional, afirmando que a operação estrangeira do C919 ajudaria a construir confiança na aeronave.
“No momento em que uma companhia aérea estrangeira voar com seu avião, a confiança aumentará, e você se tornará um player internacional”, disse Loke. “Mesmo se você conseguir 10 aviões operados por uma companhia aérea estrangeira, isso fará uma grande diferença, pois é um reconhecimento da segurança e confiabilidade da aeronave.”

Se finalizada, a compra posicionaria a AirAsia como a primeira companhia aérea não chinesa a operar o C919, proporcionando à COMAC um ponto de entrada em mercados internacionais.
A aeronave é vista como uma alternativa chinesa aos modelos ocidentais estabelecidos da Airbus e Boeing (737 MAX). No entanto, a COMAC ainda enfrenta desafios para garantir a certificação de tipo para o C919 junto a reguladores globais importantes, incluindo a FAA e a EASA.
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