A Airbus anunciou nesta segunda-feira (28) a assinatura de um acordo definitivo para a aquisição de ativos industriais da Spirit AeroSystems dedicados à produção de componentes para seus programas de aeronaves comerciais.

A operação visa assegurar a estabilidade da cadeia de fornecimento e reforçar o controle operacional sobre partes críticas da produção, disse a empresa.

Entre os ativos que passarão para o controle da Airbus estão:

  • A fábrica de Kinston, na Carolina do Norte (EUA), responsável por seções da fuselagem do A350;
  • A unidade de St. Nazaire, na França, também dedicada ao A350;
  • A fábrica de Casablanca, no Marrocos, que produz componentes para o A321 e o A220;
  • A produção de pylons do A220 em Wichita, Kansas (EUA);
  • A produção de asas do A220 em Belfast, Irlanda do Norte;
  • A produção da seção central da fuselagem do A220 em Belfast, caso a Spirit não encontre um comprador para esta operação;
  • A fabricação de componentes de asas para os A320 e A350 em Prestwick, Escócia.

Além disso, a Spirit AeroSystems confirmou que planeja vender separadamente a unidade de Subang, na Malásia.

Seção de fuselagem de um A350 produzida pela Spirit (Spirit Aerosystems)
Seção de fuselagem de um A350 produzida pela Spirit (Spirit Aerosystems)

Divisão da Spirit com a Boeing

Como parte do acordo, a Airbus receberá um pagamento de US$ 439 milhões da Spirit AeroSystems, valor sujeito a ajustes no momento do fechamento da operação.

A conclusão da negociação e a transferência oficial das operações estão previstos para o terceiro trimestre de 2025, dependendo da aprovação dos órgãos reguladores e do cumprimento de condições usuais.

Para apoiar a continuidade dos programas, a Airbus também firmou um memorando de entendimento com a Spirit AeroSystems, oferecendo linhas de crédito sem juros no valor total de US$ 200 milhões para suporte às atividades relacionadas aos seus aviões.

A aquisição dos ativos da Spirit tem como pano de fundo a crise financeira da fornecedora, que nasceu de uma divisão da Boeing.

A fabricante dos EUA deve assumir boa parte da Spirit mas concordou em repassar unidades críticas à produção das aeronaves da rival europeia.