O vice-presidente da Airbus para a América Latina e Caribe, Damien Sternchuss, afirmou ao O Globo que o widebody A350 merece uma segunda chance an Brasil.
Em entrevista nesta terça-feira, 13, o executivo disse que o A350 é fundamental para responder ao crescimento esperado da demanda no país nos próximos anos, destacando a necessidade de aeronaves de maior porte para atender o aumento do tráfego internacional, projetado em 130%.
Sternchuss argumenta que, embora as companhias brasileiras priorizem atualmente modelos menores como o A330 para mitigar riscos e otimizar custos iniciais, o A350 tende a ganhar espaço conforme a demanda se consolida em rotas de maior densidade.
“O mercado brasileiro permanecerá forte e continuará a crescer. É aí que vejo que o A350 poderá ser muito considerado, porque é um produto que permite continuar crescendo a frota, capturar mais passageiros e oferecer mais oportunidades aos viajantes brasileiros. Portanto, a longo prazo, o A350 é um produto muito bem posicionado”, disse Sternchuss.

O otimismo, no entanto, contrasta com o fracasso da aeronave quando operou no Brasil em anos recentes. A LATAM, que encomendou a aeronave ainda como TAM, chegou a ter 13 aeronaves A350-900 em sua frota entre maio de 2016 e agosto de 2021. Mas o grupo chileno (criado com a junção com a Lan Chile) preferiu padronizar a frota com jatos menores Boeing 787 – embora tenha mantido 10 Boeing 777-300ER oriundos da sócia brasileira.
A Azul foi outra interessada precoce no widebody avançado, mas o trocou pelo A330neo pouco antes de receber o primeiro exemplar novo . Apenas em setembro de 2022, a companhia finalmente trouxe dois A350-900 de segunda mão que voaram sobretudo entre Campinas e Paris. O serviço durou pouco e ambos foram devolvidos em dezembro de 2023 e janeiro de 2024.
O contexto operacional atual, por outro lado, é diferente, com uma taxa média de ocupação internacional de 82% a 85% entre as companhias brasileiras, com corte de aproximadamente 915 voos mensais. O A350, com capacidade entre 300 e 410 passageiros, promete redução de 25% no consumo de combustível devido ao uso de compósitos de fibra de carbono e titânio.
O A330 permanece mais presente no mercado brasileiro por seu menor porte e menor risco inicial, porém projeções indicam que, diante do crescimento do tráfego internacional, modelos de maior capacidade como o A350 podem voltar a ter papel relevante na renovação e expansão das frotas nacionais. É tudo que espera o executivo da Airbus.
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