A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) propôs uma multa civil de US$3,1 milhões (R$ 16,5 milhões) contra a Boeing, após uma investigação de 17 meses liderada pelo Conselho Nacional de Segurança dos Transportes (NTSB) considerá-la culpada sobre um incidente em janeiro de 2024 envolvendo um 737 MAX 9 da Alaska Airlines.

O caso gira em torno de um incidente em voo em que um painel de tampão da porta se soltou da fuselagem de um Boeing 737 MAX 9, resultando em descompressão rápida da cabine. Nenhum ferimento foi relatado, mas o evento levantou preocupações significativas sobre os processos de fabricação e controle de qualidade da Boeing.

A investigação do NTSB identificou múltiplas falhas na produção e supervisão de qualidade da Boeing, particularmente em suas instalações em Washington e Kansas. A FAA encontrou ‘centenas de violações’ dentro do sistema de qualidade da Boeing entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, incluindo casos em que pressão foi supostamente aplicada para aprovar aeronaves para entrega, apesar de não conformidades conhecidas.

Passageiros registraram em foto o incidente durante o voo AS 1282
Passageiros registraram em foto o incidente durante o voo AS 1282

O painel da porta foi encontrado em um jardim praticamente intacto (NTSB). O Boeing 737 MAX 9 é um modelo chave no portfólio de aeronaves de corredor único da empresa, amplamente utilizado por companhias aéreas em rotas de média distância.

A multa proposta pela FAA vem em meio a um escrutínio intensificado das práticas da Boeing, após crises anteriores envolvendo a família 737 MAX, que resultaram em dois acidentes fatais e um aterramento mundial em 2019. As ações mais recentes da agência refletem uma intervenção federal crescente nos padrões de produção de aeronaves.

A Boeing respondeu expressando pesar pelo incidente e afirmou que está implementando um novo Plano de Segurança e Qualidade, incluindo indicadores de desempenho específicos visando fortalecer a supervisão da produção. A empresa tem 30 dias para responder formalmente à proposta da FAA, o que pode levar a mais negociações ou audiências administrativas.