A mudança política na Argentina, que elegeu um presidente de ultra direita, Javier Milei, trouxe reflexos às viagens aéreas entre o país e Cuba.

Se na gestão anterior, do esquerdista Alberto Fernandéz, o foco era estreitar laços com países socialistas e comunistas, seu sucessor reaproximou a Argentina dos Estados Unidos.

O episódio em que um Boeing 747-300 da companhia aérea venezuelana Emtrasur foi retido em Buenos Aires e depois entregue às autoridades norte-americanas mostra quanto a linha diplomática mudou de um governo para o outro.

A aeronave de carga pertenceria à empresa iraniana Mahan Air, que a utilizaria para transportar armamentos a países aliados de Teerã, segundo o governo dos EUA.

Il-96-300 da Cubana de Aviación
Il-96-300 da Cubana de Aviación

Na semana passada, outra situação chamou a atenção. A transportadora estatal Cubana de Aviación teve de cancelar o voo semanal entre Havana e Buenos Aires após ser proibida de reabastecer o Airbus 340-300 operado na rota.

Segundo registros de ADS-B, os voos CU360 e CU361 não ocorrem desde o final de março. A Cubana utiliza um quadrimotor alugado junto à companhia aérea espanhola Plus Ultra já que sua frota de longo alcance se resume a dois antigos Ilyushin Il-96-300.

A Cubana lamentou a situação afirmando que possui autorização da Administração Nacional de Aviação Civil da Argentina (ANAC) para reabastecer suas aeronaves ou de terceiros.

Assim como no confisco do Boeing 747, a proibição de abastecimento é parte de sanções impostas por Washington.

Prejuízo na rota

Pouco antes do imbróglio da Cubana, a Aerolíneas Argentinas também encerrou seus voos para Cuba. Em janeiro a empresa aérea anunciou que a rota seria descontinuada a partir de 8 de março.

O argumento levantado foi o econômico já que o voo havia causava um prejuízo de US$ 500 mil.

Airbus A330-200 da Aerolíneas
Airbus A330-200 da Aerolíneas

A polarização política na região, no entanto, reforça a impressão que as ligações entre alguns países dependem da vertente de cada governante.

O Brasil, por exemplo, deixou de ter voos diretos para a Venezuela durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Logo que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, a transportadora estatal Conviasa anunciou voos para cidades no norte do Brasil.