A Arábia Saudita não é mais um mercado prioritário para o cargueiro militar C-390 Millennium, disse o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, indicando que um acordo em discussão há vários anos perdeu força.
Falando à Reuters, Gomes Neto afirmou que o país do Oriente Médio continua sendo uma oportunidade de negócios potencial, mas não é mais um “ponto quente” para a divisão de defesa da empresa, que agora está concentrando seus esforços na Índia e nos Estados Unidos.
A Embraer esperava substituir parte da frota envelhecida da Força Aérea Real Saudita de Lockheed Martin C-130 Hercules pelo Embraer C-390 Millennium. A Arábia Saudita já opera o novo Lockheed Martin C-130J Super Hercules, que compete diretamente com o jato brasileiro.

Em 2023, durante uma visita do presidente Lula ao reino, a Embraer assinou um acordo com a Saudi Arabian Military Industries (SAMI), apoiado pelo fundo soberano Public Investment Fund, para estudar a criação de uma linha de montagem do C-390 no país.
Na época, a fabricante brasileira buscava um possível pedido de 33 aeronaves e propôs produzi-las localmente com até 50% de conteúdo nacional, juntamente com a criação de capacidades de engenharia no país.
A proposta estava alinhada com a Visão Saudita 2030, a estratégia do governo para desenvolver setores industriais domésticos, incluindo aeroespacial e defesa.

Gomes Neto sugeriu que a força aérea saudita pode estar em busca de uma aeronave de transporte maior, o que poderia reduzir a probabilidade de um pedido em curto prazo para o C-390.
A declaração do CEO da Embraer é consistente com as negociações da Airbus com a Arábia Saudita para oferecer o A400M Atlas. O turboélice transporta mais carga que o C-390 ou o C-130J, e o fabricante está estudando um aumento de capacidade para 40 toneladas em uma configuração futura.
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