A companhia aérea argentina de baixo custo Flybondi está sendo questionada após não pagar os salários dos funcionários referentes a março, em em meio à pressões operacionais e financeiras que se intensificaram nos últimos meses.

A companhia reconheceu o atraso internamente, atribuindo-o a “razões administrativas” e afirmando que os pagamentos seriam feitos nos próximos dias. A administração descreveu a situação como excepcional, observando que a empresa não havia perdido anteriormente as obrigações de folha de pagamento durante seus oito anos de operação.

A situação provocou uma manifestação da Associação dos Trabalhadores da Aviação da Flybondi (ATAF), que anunciou uma assembleia de funcionários marcada para esta segunda-feira, 13 de abril, no Aeroporto de Ezeiza.

Jatos Boeing 737-800 da Flybondi (Flybondi)
Jatos Boeing 737-800 da Flybondi (Flybondi)

Representantes do sindicato também alertaram sobre a possibilidade de ações industriais se a situação não for resolvida, citando a crescente incerteza entre os funcionários e a falta de comunicação clara por parte da empresa.

O atraso salarial ocorre em meio a um período de instabilidade para a Flybondi. Em março, a companhia enfrentou interrupções generalizadas após várias aeronaves operadas sob contratos de leasing ACMI serem temporariamente paralisadas durante as renegociações contratuais. O episódio resultou em um alto número de cancelamentos e atrasos em sua rede doméstica.

Boeing 737 MAX e Airbus A220 planejados

Ao mesmo tempo, a empresa tem ajustado sua estrutura de rotas e força de trabalho. De acordo com relatos da mídia local, a Flybondi teria lançado programas de demissão voluntária e pode suspender serviços para destinos do sul, como Ushuaia, El Calafate e Puerto Madryn durante a baixa temporada, apesar de já ter vendido passagens para essas rotas.

A220-300
A220-300

Relatos na Argentina também sugerem que a situação atual está se desenrolando menos de um ano após a companhia ser adquirida pelo fundo de investimento COC Global Enterprise, vinculado ao empresário Leonardo Scatturice, que havia anunciado planos de injetar capital significativo e expandir a frota.

A frota interna da Flybondi atualmente consiste em 12 aeronaves Boeing 737-800 de segunda mão, com idade média de quase 18 anos, enquanto a capacidade adicional tem sido suportada por meio de acordos ACMI de curto prazo.

A combinação de problemas operacionais e restrições financeiras contrasta com as ambições de crescimento declaradas pela companhia. A Flybondi delineou planos para expandir além de sua frota atual, incluindo operações potenciais com aeronaves de nova geração, como o Boeing 737 MAX e o Airbus A220.

Essa estratégia visa reduzir a dependência de aeronaves de aluguel, mas a recente interrupção envolvendo aeronaves arrendadas expôs os riscos dessa abordagem, especialmente quando as negociações com fornecedores afetam a disponibilidade da frota.

A Flybondi opera em um desafiador mercado argentino, onde os custos são em grande parte pagos em dólares, enquanto as receitas dependem da moeda local. Para operadores ultra low-cost, manter tarifas baixas enquanto gerencia essas pressões continua sendo um equilíbrio difícil, especialmente enquanto a empresa trabalha para normalizar as operações e atender às obrigações financeiras imediatas.