A Azul anunciou a conclusão de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, encerrando uma reestruturação iniciada há cerca de nove meses. O plano havia sido homologado pela Justiça norte-americana em dezembro de 2025.

Com a saída do processo, a companhia informou ter recebido US$ 850 milhões em novos investimentos em ações, incluindo aportes de credores e US$ 100 milhões da United Airlines. A empresa também formalizou um compromisso de investimento adicional de US$ 100 milhões por parte da American Airlines, sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Além disso, a Azul captou US$ 1,375 bilhão em novos títulos e reduziu sua dívida e obrigações de arrendamento em aproximadamente US$ 2,5 bilhões em relação aos valores anteriores ao pedido de proteção judicial. Segundo a empresa, os juros anuais pagos sobre empréstimos e financiamentos foram reduzidos em mais de 50%.

A companhia informou ainda que diminuiu sua dívida de arrendamento de aeronaves em cerca de 36% e os custos de locação em aproximadamente um terço, sem reduzir capacidade operacional. A alavancagem líquida proforma ao fim do processo ficou abaixo de 2,5 vezes.

A United Airlines investiu US$ 100 milhões na Azul (Dylan T)
A United Airlines investiu US$ 100 milhões na Azul (Dylan T)

A reestruturação contou com o apoio de credores, arrendadores de aeronaves — entre eles a AerCap, principal contraparte da Azul nesse segmento — além de fabricantes e fornecedores.

Durante o período de recuperação judicial, a empresa manteve suas operações. Em 2025, transportou 32 milhões de passageiros, operou cerca de 800 voos diários e manteve índice de pontualidade de 85,1%, segundo dados divulgados pela própria companhia.

A Azul atende atualmente mais de 130 cidades, em cerca de 250 rotas, com uma frota de aproximadamente 175 aeronaves.

O processo ocorre em um momento de reorganização do setor aéreo brasileiro, após a Gol também ter concluído sua reestruturação financeira no exterior no ano passado. A LATAM foi a primeira grande companhia aérea sul-americana a aderir ao Chapter 11, movimento repetido também pela Avianca, da Colômbia.