A Azul Linhas Aéreas teve um bom terceiro trimestre em termos operacionais, com faturamento em alta, uma ocupação dos aviões maior além de um ticket médio mais alto, porém sofre com as pesadas dívidas acumuladas.

Os resultados foram divulgados pela empresa aérea na quinta-feira, 13, e mostram que a receita total subiu 11,8%, de R$ 5,13 bilhões para R$ 5,737 bilhões, se comparado com o terceiro trimestre de 2024.

Praticamente todo o crescimento veio de passagens: a receita de transporte de passageiros foi de R$ 5,294 bilhões contra R$ 4,763 bilhões no ano anterior (+11,2%), mesmo carregando quase o mesmo número de pessoas (8,067 milhões agora × 8,091 milhões em 2024).

A taxa taxa de ocupação subiu de 82,6% para 84,6% enquanto a tarifa média foi de R$ 656 contra R$ 589 no 3T24 (+11,5%). O segmento internacional cresceu muito (capacidade +30,5%) e ajudou bastante, porque voos internacionais pagam tarifa maior. Além disso, cargas + programa de fidelidade + pacotes de turismo subiram 20,7% (de R$ 367 milhões para R$ 443 milhões).

O E195-E2 vai assumir todos os voos da Azul no Santos Dumont até setembro (Azul Linhas Aéreas)
O E195-E2 vai assumir todos os voos da Azul no Santos Dumont até setembro (Azul Linhas Aéreas)

O custo com combustível caiu 8,3% (de R$ 1,494 bilhão para R$ 1,370 bilhão), mesmo voando 7,1% a mais. Dois motivos: o litro do querosene ficou 13,2% mais barato e a empresa queimou 1,4% menos combustível por quilômetro voado (frota mais moderna ajudou).

Custo com salários caiu 7,9% em valor absoluto (de R$ 648 milhões para R$ 597 milhões), porque a produtividade subiu forte: cada funcionário produziu 8,6% mais assentos-quilômetros.

Com tudo isso junto, o EBITDA (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 20,2%, de R$ 1,653 bilhão para R$ 1,988 bilhão, e a margem EBITDA foi para 34,6% (era 32,2%).

O que de fato piorou

O lucro líquido virou prejuízo de R$ 644 milhões (no 3º trimestre de 2024 tinha sido lucro de R$ 390 milhões). O grande responsável foi a explosão das despesas financeiras líquidas, que saltaram de R$ 1,117 bilhão para R$ 2,833 bilhões — mais que dobraram. Isso é basicamente juros e encargos sobre a dívida enorme que a empresa ainda carrega (dívida de arrendamentos de aviões mais empréstimos antigos).

Airbus A330-900neo – Azul Linhas Aéreas (Airbus)
Airbus A330-900neo – Azul Linhas Aéreas (Airbus)

A depreciação e amortização subiram 4,6% (de R$ 626 milhões para R$ 717 milhões) enquanto o arrendamento de de aviões e motores teve alta de 125% (de R$ 77 milhões para R$ 172 milhões).

Outras despesas operacionais tiveram alta expressiva de 106,6% (de R$ 317 milhões para R$ 654 milhões) basicamente em virtude de processos judiciais de passageiros (a empresa cita aumento de 16,7% no número de ações, referentes aos cancelamentos de 2024).

O custo total por assento-quilômetro oferecido (CASK) subiu 1,6% (de 34,28 centavos para 34,85 centavos). Se tirar o combustível (que caiu muito), o custo sem combustível subiu 10,8%.

Os aviões da Azul que estavam parados em Bauru, no interior de SP (Reprodução/redes sociais)
Os aviões da Azul que estavam parados em Bauru, no interior de SP (Reprodução/redes sociais)

Melhora ajuda, mas ainda há um passivo pesado a resolver

A Azul voou mais cheio, seus bilhetes subiram, a empresa gastou menos com combustível e com salários por quilômetro voado, o que aumentou receitas de carga e fidelidade, e por isso gerou quase R$ 2 bilhões de caixa operacional (EBITDA recorde). Operacionalmente, o trimestre foi excelente.

Mas as dívidas antigas estão cobrando juros absurdos, os custos com depreciação de frota nova e indenizações de passageiros explodiram, e por isso o lucro final virou prejuízo de R$ 644 milhões.

A empresa está no meio do Chapter 11 exatamente para cortar essas dívidas e esses juros, mas em 2025 ainda está pagando muito caro por elas.