Pousou no Aeroporto de Guarulhos na noite desta terça-feira, 19, um Boeing 757 inteiramente pintado em branco, com a discreta matrícula "00-9001".
A aeronave é um C-32B “Gatekeeper” da Força Aérea dos EUA (USAF), embora sua presença no Brasil permaneça envolta em mistério. O jato havia pousado anteriormente em Porto Alegre, vindo de escalas em Tampa e San Juan.
Apesar da discrição, chama atenção o fato de que o C-32B pertence ao Comando de Operações Especiais da USAF (AFSOC) — usado para transporte de alto escalão em ambientes de crise. Embora muito similar ao C-32A — versão VIP (Air Force Two) do Boeing 757 — o C-32B é bastante distinto.
Apenas dois exemplares são oficialmente reconhecidos: o 00-9001 (ex-Avianca) e o 02-4452, ambos convertidos e alguma vez empregados em companhias civis antes de passar para a USAF em 2004.

Maior alcance que o 757 comum
O C-32B difere tecnicamente de um 757 convencional por possuir tanques de combustível adicionais instalados no porão de carga, que ampliam seu alcance para mais de 11.000 km. Além disso, trata-se do único 757 conhecido equipado para reabastecimento em voo, por meio de uma escotilha discreta localizada sobre a fuselagem, atrás do cockpit.
Outro diferencial importante está nos sistemas de comunicação. O modelo foi adaptado com equipamentos avançados de enlace tático e satélite, capazes de manter contato seguro mesmo em regiões onde não existe infraestrutura terrestre. Também possui soluções para operar em aeroportos sem suporte, como escada interna para embarque e sistemas próprios para movimentar carga em pistas rudimentares.
Externamente, as diferenças são mínimas. A fuselagem branca, sem insígnias militares e com poucos detalhes de identificação, ajuda a manter a discrição durante as missões. O anonimato é reforçado pelo fato de que esses aviões frequentemente trocam de matrícula e número de série, dificultando o rastreamento de suas operações.

Operados principalmente por esquadrões ligados às operações especiais da USAF, os “Gatekeepers” voam missões de alto sigilo, muitas vezes em apoio a agências governamentais como a CIA. É comum que tripulantes estejam armados e que o avião seja usado para transportar equipes em situações sensíveis, como crises políticas ou operações antiterrorismo.
A chegada do C-32B a Guarulhos, portanto, levanta inevitáveis especulações. O que um dos aviões mais enigmáticos da frota norte-americana veio fazer no Brasil ainda é desconhecido, mas sua presença é um indicativo claro de uma missão planejada com alto grau de importância e confidencialidade.
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