Uma organização de defesa da segurança aérea baseada nos EUA afirma que um Boeing 787 Dreamliner operado pela Air India e envolvido em um acidente fatal no ano passado tinha um longo histórico de falhas técnicas, de acordo com um relatório publicado pela BBC.
A aeronave, registrada como VT-ANB, caiu em 12 de junho de 2025, pouco após decolar de Ahmedabad em um voo para Londres, vitimando 260 pessoas. A investigação oficial sobre o acidente ainda está em andamento.
A Foundation for Aviation Safety, um grupo de defesa dos EUA, afirma ter obtido documentos que indicam que a aeronave enfrentou problemas técnicos repetidos desde seu primeiro dia de operação com a Air India. O grupo apresentou uma apresentação detalhando suas descobertas ao Subcomitê Permanente de Investigação do Senado dos EUA, que já examinou a cultura de segurança da Boeing.
De acordo com a Foundation, os problemas incluíam falhas eletrônicas e de software, desarmes repetidos de disjuntores, danos na fiação, curtos-circuitos, perda de energia elétrica e superaquecimento de componentes elétricos. O grupo também alega que um incêndio ocorreu em janeiro de 2022 em um dos painéis de distribuição de energia P100 da aeronave, exigindo a substituição da unidade.

O Boeing 787 depende mais de sistemas elétricos do que gerações anteriores de aeronaves comerciais, tendo substituído vários sistemas mecânicos e pneumáticos por sistemas eletricamente acionados. Essa abordagem de design já foi alvo de escrutínio, incluindo após um incêndio em uma bateria de um 787 da Japan Airlines em 2013, que levou a uma paralisação global temporária do modelo.
A aeronave envolvida no acidente da Air India estava entre os primeiros 787 fabricados, realizando seu primeiro voo no final de 2013 e entrando em operação no início de 2014.
O Escritório de Investigação de Acidentes de Aeronaves da Índia (AAIB) lidera a investigação, com a participação de autoridades dos EUA, uma vez que a aeronave e seus motores foram projetados e fabricados nos Estados Unidos. Um relatório preliminar divulgado pelo AAIB em julho gerou controvérsia ao notar que os interruptores de controle de combustível haviam mudado da posição “run” para “cut-off” logo após a decolagem, privando os motores de combustível.
Essa constatação levou alguns comentaristas a sugerirem possível envolvimento dos pilotos. No entanto, advogados das vítimas, defensores da segurança e grupos de pilotos argumentaram desde então que focar na tripulação de cockpit pode ser enganoso e que potenciais problemas técnicos com a aeronave não devem ser descartados.

A Foundation for Aviation Safety é liderada por Ed Pierson, um ex-gerente sênior da unidade da Boeing em Renton, que é um crítico de longa data das práticas de fabricação e controle de qualidade da empresa. Ele descreveu o relatório preliminar do AAIB como inadequado.
O grupo afirma que suas preocupações vão além da aeronave acidentada, citando uma análise de cerca de 2.000 relatórios de falhas que afetam centenas de Boeing 787 em operação em vários países. A BBC observou que não revisou de forma independente os documentos mencionados pela Foundation.
A Boeing se recusou a comentar as alegações, citando a investigação em andamento, e encaminhou as perguntas ao AAIB. Air India e a autoridade de investigação indiana foram contatadas para comentar, de acordo com a BBC.
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