A Boeing pretende introduzir mudanças relevantes no MQ-28 Ghost Bat com a chegada da versão Block 3 do avião de combate colaborativo, incluindo baias internas para armamentos e um aumento na envergadura das asas. As informações foram reveladas por executivos da empresa a repórteres no Singapore Airshow.
Durante encontros com a imprensa no evento, Glen Ferguson, diretor global do programa MQ-28, afirmou que a versão Block 3 será capaz de empregar armamentos internamente, como o míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM e a Small Diameter Bomb. Segundo ele, a principal limitação para os armamentos integráveis é física, já que o projeto modular da aeronave permite a incorporação de diferentes sistemas desde que compatíveis com o espaço disponível.
Ferguson explicou que a mesma lógica se aplica aos sensores. O MQ-28 pode receber diferentes cargas úteis no nariz da aeronave conforme a missão ou os requisitos do operador, incluindo sistemas de guerra eletrônica e sensores infravermelhos de busca e rastreamento. A Boeing trabalha no desenvolvimento de outros sensores, embora não tenha detalhado esses projetos.

Outra alteração prevista para o Block 3 é o aumento da envergadura, que passará de cerca de 6 metros para aproximadamente 7,3 metros. O alongamento das asas permitirá maior capacidade de combustível e, consequentemente, um aumento significativo do alcance. Em outra apresentação, Ferguson afirmou que essa modificação elevará a capacidade de combustível em cerca de 30%, além de permitir maior capacidade interna de cargas e armamentos.
O MQ-28 está sendo desenvolvido na Austrália em parceria com a Força Aérea Real Australiana (RAAF), que trabalha para atingir capacidade operacional com o modelo até 2028. A RAAF encomendou aeronaves nas configurações Block 2 e Block 3, após a fase inicial com unidades Block 1 utilizadas em testes. O Block 2 representa o padrão operacional inicial, enquanto o Block 3 será a base da oferta internacional do programa.

O programa encerrou 2025 com um marco relevante, após um MQ-28 realizar o lançamento de um míssil AIM-120 em voo, operando em conjunto com aeronaves tripuladas como caças F/A-18 e o avião de alerta antecipado E-7. Segundo Ferguson, o teste demonstrou o nível de maturidade já alcançado pelo sistema.
A Austrália já investiu cerca de US$ 1,4 bilhão no desenvolvimento do MQ-28. A Boeing prevê acelerar a produção quando o Block 3 entrar em fabricação em maior escala, a partir de 2028. Todas as versões do Ghost Bat utilizam o motor Williams International FJ44-A, hoje um dos propulsores mais empregados em projetos de aeronaves de combate colaborativas.
Ferguson também confirmou que há conversas em andamento com diversos países interessados no MQ-28 e citou a cooperação recente entre Austrália e Japão. Segundo ele, o projeto foi concebido para permitir que operadores estrangeiros integrem sensores e armamentos próprios, sem a necessidade de envolvimento profundo do fabricante, como ocorre em plataformas tripuladas.

Embora o MQ-28 tenha sido inicialmente desenvolvido fora das restrições do regime de controle de exportações dos Estados Unidos (ITAR), parte dessas tecnologias foi incorporada após acordos com a Força Aérea e a Marinha dos EUA. De acordo com Ferguson, esses sistemas foram isolados e podem ser removidos para exportações que exijam uma configuração livre dessas restrições.
A Boeing também participa de iniciativas de aeronaves de combate colaborativas das Forças Armadas dos Estados Unidos, mas Ferguson evitou comentar detalhes sobre esses programas, por se tratarem de projetos de caráter nacional.
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