A Boeing afirmou que uma possível greve de cerca de 3.200 funcionários das fábricas em St. Louis e St. Charles, no Missouri, não deve afetar significativamente sua operação na divisão de Defesa, Espaço e Segurança (BDS). A declaração foi feita por Robert “Kelly” Ortberg, CEO da empresa, durante coletiva com investidores em 29 de julho.

Os trabalhadores em questão atuam na produção de caças militares e munições, como o F-15EX e o F/A-18 Super Hornet. Ortberg destacou que, embora haja risco de paralisação, o impacto seria muito menor do que a greve de 2023, que envolveu 30 mil funcionários da divisão comercial em Seattle.

“Vamos administrar isso. Eu não me preocuparia muito com as implicações da greve. Vamos encontrar uma solução”, disse o CEO.

Estratégia de contratos sob nova filosofia

Ortberg também comentou que a Boeing está reformulando sua abordagem comercial na divisão de defesa. Programas recentes — como o T-7 Red Hawk, desenvolvido com a Saab — foram estruturados com contratos “cost-plus”, que reduzem os riscos da empresa ao repassar parte dos custos adicionais aos governos contratantes.

T-7A Red Hawk: aeronave é projetada pela Boeing em parceria com a SAAB (Boeing)
T-7A Red Hawk: aeronave é projetada pela Boeing em parceria com a SAAB (Boeing)

Segundo ele, a gestão ativa desses contratos tem sido fundamental para a recuperação da margem operacional da BDS, que deve retornar à faixa de médios a altos dígitos nos próximos trimestres.

“Não estamos mais cometendo os erros do passado com contratos fixos em programas de alto risco. A filosofia agora é realista e voltada à sustentabilidade”, afirmou Ortberg.

Apesar dos desafios em programas de desenvolvimento complexos, a Boeing acredita que está no caminho certo para recuperar a performance da BDS, que sofreu nos últimos anos com prejuízos bilionários em contratos mal precificados.