Brasil e Índia estão em negociações para um acordo de troca de armamentos que pode abranger a venda do cargueiro brasileiro C-390 Millennium à Força Aérea Indiana e, em contrapartida, a aquisição de aeronaves e sistemas de defesa indianos, incluindo o caça leve Tejas Mk1A e o helicóptero de ataque LCH Prachand.

Em entrevista recente, o embaixador brasileiro na Índia, Kenneth da Nóbrega, confirmou que há reciprocidade no interesse de ambas as nações em ampliar a cooperação na área de defesa. Segundo o diplomata, o governo brasileiro estuda a aquisição de produtos militares indianos, enquanto a Embraer participa da licitação indiana para fornecimento de aeronaves de transporte médio (programa MTA).

O C-390 Millennium, produzido pela Embraer, possui capacidade de carga de até 26 toneladas e é projetado para operações em pistas curtas e não preparadas, características consideradas relevantes no contexto indiano.

Caças Tejas da Índia (HAL)
Caças Tejas da Índia (HAL)

A aeronave está sendo avaliada, juntamente com o Lockheed C-130J e o Airbus A400M, para substituir parte da frota de Ilyushin Il-76 da Índia. Como parte da proposta, a Embraer oferece a montagem local do modelo, com potencial para criação de empregos e transferência de tecnologia para o setor aeroespacial indiano, condições também sugeridas pelos rivais.

O plano do governo indiano é encomendar entre 40 e 80 aeronaves, o que torna a competição mais acirrada pelo volume financeiro envolvido.

Do lado brasileiro, o interesse se concentra no caça Tejas Mk1A, que integra aviônicos modernos e radar AESA, sendo cotado como possível substituto dos jatos F-5 Tiger II atualmente em serviço na Força Aérea Brasileira. Embora o governo Lula encaminhe uma ampliação dos pedidos do caça Gripen, a FAB tem sinalizado que seu padrão operacional exige de dois a três tipos e caças.

Protótipo do HAL Prachand em testes com a Força Aérea da Índia, em 2020 (Divulgação)
Protótipo do HAL Prachand em testes com a Força Aérea da Índia, em 2020 (Divulgação)

Outro possível candidato a entrar no potencial acordo seria o helicóptero LCH Prachand, que poderia ser usado em missões em regiões de difícil acesso, como a Amazônia, no lugar dos Mi-35 retirados de serviço e sem substitutos.

O volume comercial estimado para as operações de defesa entre os dois países pode alcançar de 2 a 3 bilhões de dólares anuais, segundo projeções do setor. Além da questão comercial, os países buscam superar desafios de interoperabilidade e financiamento para viabilizar a colaboração.

A parceria ocorre em contexto de ampliação do comércio bilateral, que atingiu 16 bilhões de dólares em 2024-25, e pode ser facilitada por fóruns multilaterais como G20 e BRICS, nos quais Brasil e Índia compartilham interesses estratégicos. A possibilidade de co-desenvolvimento e acordos de offsets também está sendo considerada nas negociações.