O Canadá ainda avalia o plano de adquirir 88 caças Lockheed Martin F-35 Lightning II, afirmou o ministro da Defesa, David McGuinty, nesta segunda-feira, 27, mantendo aberta a possibilidade de Ottawa reduzir o pedido e comprar aeronaves de outros países.

O governo canadense assinou um contrato de C$19 bilhões (US$13,9 bilhões) com a Lockheed Martin no início de 2023 para substituir a frota envelhecida de McDonnell Douglas CF-18 Hornet da Força Aérea Real Canadense.

No entanto, o primeiro-ministro Mark Carney determinou uma revisão do programa em março de 2025, após argumentar que o Canadá se tornou excessivamente dependente de fornecedores de defesa dos Estados Unidos.

A reavaliação ganhou relevância política à medida que as relações entre Ottawa e Washington se deterioraram após declarações recorrentes do presidente dos EUA, Donald Trump, sugerindo que o Canadá deveria se tornar parte dos Estados Unidos — afirmações amplamente rejeitadas por autoridades canadenses.

Caça F-39E Gripen da FAB (Sgt Müller Marin/FAB)
Caça F-39E Gripen da FAB (Sgt Müller Marin/FAB)

Trump também declarou recentemente que o futuro da defesa aérea norte-americana sob o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte só seria viável com o F-35, aumentando a pressão sobre Ottawa durante a revisão do acordo.

McGuinty afirmou a uma comissão do Senado sobre defesa que a compra de aeronaves de outros países segue como opção em análise, embora não tenha apresentado um prazo para a decisão final. O Canadá já destinou recursos para as primeiras 16 unidades do F-35.

Caças CF-188 e o CP-140 Aurora (Letartean)
Caças CF-188 e o CP-140 Aurora (Letartean)

Uma alternativa possível segue sendo o Saab JAS 39 Gripen, que ficou em segundo lugar na concorrência canadense de caças e continua politicamente atraente para alguns setores devido à promessa de benefícios industriais locais.

Autoridades de defesa canadenses já argumentaram que abandonar o plano do F-35 pode gerar desafios operacionais e elevar custos, especialmente diante dos compromissos do Canadá com o NORAD e a OTAN.