Os desdobramentos causados pelo avanço da epidemia do coronavírus e da crise nos mercados financeiros motivou a Azul a acionar um plano de contingência. A companhia aérea confirmou nesta semana que suspenderá o voo entre Campinas e Porto entre 16 de setembro e 21 de março e que também deu início a concessão de licenças não remuneradas a seus tripulantes por conta na queda na demanda de passageiros.

"Visando otimizar sua malha e equilibrar a demanda e os custos, a Azul decidiu suspender, temporariamente, as operações entre Campinas e Porto. A suspensão na rota acontecerá entre 16 de setembro e 21 de março de 2021, período que compreende a temporada de inverno. A companhia ressalta que já está trabalhando na reacomodação de clientes impactados pela alteração nos voos", diz a nota da Azul.

Já em relação às licenças não remuneradas, a empresa afirmou que "em virtude da alta constante do dólar que pressiona os custos da empresa, decidiu adotar este plano de contingência que contempla a possibilidade de licenças não remuneradas. Obedecendo a diversos critérios, a iniciativa permite que tripulantes possam aproveitar o período para se dedicar a projetos pessoais sem perder o vínculo empregatício com a companhia".

Trata-se de uma estratégia já em uso por outras companhias aéreas, sobretudo na Europa, diante da redução no tráfego de passageiros. A Lufthansa, por exemplo, confirmou na sexta-feira passada que reduzirá sua capacidade em 50% ou mais, dependendo da evolução do quadro. No entanto, sua aceitação promete ser complicada afinal esses funcionários só terão como garantia o registro de trabalho com a companhia.

O voo entre Viracopos e Porto, segunda maior cidade de Portugal, estreou em junho do ano passado com três frequências semanais. É um complemento à rota entre Campinas e Lisboa, capital do país, que hoje opera diariamente. A alta na cotação do dólar afeta drasticamente as empresas aéreas no Brasil que possuem contratos de leasing de aviões nessa moeda, além de outros custos também vinculados ao câmbio. Mesmo a brusca queda no preço do barril do petróleo parece compensar esse quadro até aqui.

Hoje, Portugal tornou-se a porta de entrada da Azul na Europa, de onde os passageiros da empresa podem seguir viagem em conexões com a parceira TAP. Mas, assim como outras empresas do continente, a companhia aérea de bandeira portuguesa também tem sido afetada fortemente pelo avanço da epidemia. Nesta segunda-feira, a empresa suspendeu 2.500 voos programados para março a maio, após cancelar outros mil voos até aqui.

No Brasil, o único voo suspenso por conta do coronavírus é o que liga São Paulo a Milão, realizado pela Latam. A rota diária deixará de ser operada até 16 de abril, a princípio.

Voo de São Paulo para as Ilhas Malvinas era operado pela Latam com jatos Boeing 767 (LATAM)
Voo de São Paulo para as Ilhas Malvinas era operado pela Latam com jatos Boeing 767 (LATAM)

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