A Air Canada anunciou nesta segunda-feira, 30 de março, que o CEO Michael Rousseau se aposentará até o final do terceiro trimestre de 2026, dizendo que a medida é parte de um processo de sucessão planejado que já está em andamento na empresa.

A companhia aérea afirmou que está preparando candidatos a liderança internamente há mais de dois anos, enquanto também lançou uma busca externa em janeiro, com a proficiência em francês entre os critérios para o próximo executivo-chefe.

Rousseau, de 68 anos, permanecerá em seu cargo até sua saída e é esperado que apoie a transição. Ele lidera a Air Canada desde 2021, após quase duas décadas na empresa, incluindo cargos como diretor financeiro e vice-CEO.

O anúncio ocorre dias após Rousseau enfrentar críticas por sua resposta ao acidente fatal envolvendo um CRJ-900 da Air Canada Express no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, no dia 22 de março. A colisão com um caminhão de bombeiros destruiu a cabine de comando, matando ambos os pilotos e ferindo dezenas de passageiros.

Michael Rousseau
Michael Rousseau

Imediatamente após o acidente, Rousseau emitiu uma declaração em vídeo apenas em inglês, provocando reações negativas no Canadá, onde tanto o inglês quanto o francês são línguas oficiais. Ele posteriormente se desculpou, mas o episódio gerou pressão política e pública.

O Primeiro-Ministro Mark Carney afirmou que a resposta demonstrou mau julgamento e enfatizou que o líder da empresa aérea nacional deve ser totalmente bilíngue. Ele acolheu a mudança na liderança, acrescentando que empresas como a Air Canada têm a responsabilidade de se comunicar em ambas as línguas oficiais em todos os momentos.

A questão tem peso particular em Quebec, a província de língua francesa onde a Air Canada está sediada. Legisladores na assembleia provincial pediram a renúncia de Rousseau, argumentando que a falta de uma resposta em francês demonstrou desrespeito pela língua.

A321XLR da Air Canada
A321XLR da Air Canada

A Air Canada manteve a narrativa que o processo de sucessão foi estruturado com antecedência, mas reconheceu que as habilidades de comunicação, incluindo fluência em francês, serão um fator chave na seleção do próximo CEO.

O presidente do conselho, Vagn Sørensen, creditou Rousseau por conduzir a companhia aérea através de grandes desafios, incluindo a crise da COVID-19, e por fortalecer sua posição financeira.