O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, segue negando que a fabricante vá lançar um novo jato comercial capaz de disputar pedidos com o Boeing 737 e o Airbus A320, mas ao menos deu a dica que o mercado desse tipo de avião comporta mais competidores.

Em entrevista ao jornal Financial Times, na sede em São José dos Campos, Gomes Neto afirmou que o mercado de aviões de fuselagem estreita pode comportar três ou quatro fabricantes nas próximas décadas.

Atualmente, o segmento é dominado por Boeing e Airbus, mas deve ganhar a companhia da chinesa COMAC, que já possui um modelo do tipo, o C919. A quarta concorrente com maior potencial para isso é justamente a Embraer.

O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, com o vice-ministro da Defesa da Polônia, Paweł Bejda (GP)
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, com o vice-ministro da Defesa da Polônia, Paweł Bejda (GP)

Segundo o executivo, projeções indicam demanda global para cerca de 40 mil aeronaves narrowbody nos próximos 20 anos, o que poderia abrir espaço para novos concorrentes além dos líderes atuais. Ele ressaltou que clientes têm demonstrado interesse em mais opções, embora isso não se traduza necessariamente em compras imediatas.

A Embraer, terceira maior fabricante mundial, é hoje líder no segmento de jatos regionais, especialmente nos Estados Unidos. No Brasil, Azul, GOL e LATAM têm as frotas dominadas pelas famílias A320 e 737, mas o E195-E2 está ganhando espaço – a empresa chilena fez um pedido de 24 aviões do modelo no mês passado.

A LATAM quebrou o tabu e encomendou 24 E195-E2 e reservou outros 50 aviões (Embraer)
A LATAM quebrou o tabu e encomendou 24 E195-E2 e reservou outros 50 aviões (Embraer)

O CEO da Embraer destacou que a companhia estuda alternativas para uma nova geração de jatos comerciais e executivos, mas enfatizou que qualquer decisão sobre o desenvolvimento de narrowbodies só deve ocorrer na próxima década. No momento, a prioridade é consolidar e expandir as vendas dos modelos já existentes, como tem dito frequentemente.

Além do segmento civil, Gomes Neto mencionou esforços para ampliar as exportações de produtos militares, como o KC-390, e a busca de oportunidades em mercados como a Índia. A Embraer também trabalha para viabilizar a montagem do KC-390 nos Estados Unidos, em resposta a sondagens da Força Aérea.