O CEO da GOL Linhas Aéreas, Celso Ferrer, finalmente deu alguns indícios de algo que está cada vez mais claro, a companhia pode incorporar widebodies Airbus A330-900 à sua frota. Trata-se de uma mudança significativa na estratégia da empresa após a saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).
A declaração foi dada durante o evento Routes Americas 2026, realizado no Rio de Janeiro em 3 de março, segundo a Aviation Week.
Ferrer afirmou que a GOL deixou de estar limitada à filosofia de frota única de Boeing 737 adotada desde sua fundação há 25 anos e passou a avaliar novas possibilidades dentro do grupo Abra.
Atualmente, a GOL opera mais de 140 aeronaves da família Boeing 737 e historicamente manteve uma frota padronizada em narrowbodies visando ganhos de escala em manutenção e pessoal.

Durante o período de reestruturação, a empresa evitou introduzir novos tipos de aeronaves para reduzir riscos operacionais e financeiros. Com o fim do Chapter 11 e a consolidação do grupo Abra como acionista controlador, com 80% de participação, a análise sobre a introdução de novos modelos passou a considerar o contexto do grupo como um todo.
A movimentação ocorre em paralelo à reserva de slots pela GOL em aeroportos dos Estados Unidos e da Europa que, na prática, exigem aeronaves de fuselagem larga para viabilizar operações regulares. Além disso, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já reservou matrículas para sete Airbus A330-900 a pedido da companhia.
Os A330neo em questão voam pela Azul e devem ser devolvidos à arrendadora Avolon até agosto. O modelo também faz parte do portfólio de encomendas do grupo Abra, que inclui A320neo, A330neo, A350-900 e Boeing 737 MAX para entrega ao longo desta década.

O CEO do Abra, Adrian Neuhauser, já havia afirmado anteriormente que o grupo avalia a possibilidade de operar widebodies no Brasil. Caso a GOL introduza o A330neo, a empresa passaria a ter capacidade para operar voos intercontinentais diretos a partir do Brasil, em vez de depender de conexões via o hub da Avianca em Bogotá além de algumas rotas para o sul dos EUA com o 737 MAX.
Ferrer afirmou que a companhia agora pode avaliar novos tipos de aeronaves e mercados sob uma perspectiva integrada do grupo, reduzindo o risco associado à introdução de uma nova frota.
No mercado doméstico brasileiro, a LATAM lidera com cerca de 38% da oferta de assentos, seguida pela GOL com 33% e pela Azul com aproximadamente 29%. Ferrer afirmou que o ambiente financeiro das companhias brasileiras está mais estável após os processos de reestruturação e que a empresa está analisando oportunidades de crescimento.
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