O executivo-chefe da United Airlines, Scott Kirby, levantou a possibilidade de uma fusão com a American Airlines em discussões com autoridades do governo dos EUA, segundo reportagens da Reuters e Bloomberg, uma medida que causaria um terremoto na indústria global de aviação se for adiante.

As conversas, que teriam ocorrido nos últimos meses, incluíram uma reunião com o presidente Donald Trump no final de fevereiro, mas não resultaram em uma proposta formal. Permanece incerto se a United abordou a American diretamente ou iniciou qualquer processo estruturado em direção a um acordo.

Nenhuma das companhias aéreas comentou publicamente sobre as reportagens.

Scott Kirby, CEO da United Airlines (United Airlines)
Scott Kirby, CEO da United Airlines (United Airlines)

Uma combinação da United e da American criaria, de longe, o maior grupo aéreo do mundo. Juntas, as duas companhias já estão entre as maiores globalmente em termos de capacidade, e uma fusão resultaria em uma frota superior a 3.200 aeronaves comerciais, incluindo cerca de 1.000 jatos Boeing 737.

Kirby teria argumentado que uma companhia aérea combinada estaria melhor posicionada para competir no exterior, especialmente à medida que as empresas estrangeiras representam uma grande parte da capacidade de voos de longa distância para e dos Estados Unidos.

A ideia também marcaria o movimento de consolidação mais significativo no setor aéreo dos EUA em mais de uma década. O mercado doméstico já é dominado por quatro grandes empresas — American, Delta Air Lines, United e Southwest Airlines — que juntas controlam a maior parte do tráfego de passageiros.

American Airlines Airbus A321XLR
American Airlines Airbus A321XLR

Preços mais altos e menos concorrência

Ainda assim, observadores da indústria veem obstáculos acentuados. Questões antitruste provavelmente dominariam qualquer avaliação, com reguladores preocupados com o impacto sobre a concorrência, tarifas e sobreposição de rotas. A oposição também pode vir de sindicatos, companhias aéreas rivais e autoridades aeroportuárias.

Analistas observam que com menos companhias aéreas, haveria redução na concorrência e aumento dos preços de passagens, uma questão sensível em um momento em que os formuladores de políticas permanecem focados nos custos para os consumidores.

Boeing 737 MAX 9 da United Airlines (Greg Gayden)
Boeing 737 MAX 9 da United Airlines (Greg Gayden)

A posição financeira da American Airlines adiciona outra camada à discussão. A companhia enfrentou pressão para melhorar a lucratividade e reduzir uma dívida de aproximadamente 25 bilhões de dólares, enquanto trabalha para fechar a lacuna com a Delta e a United. Em contraste, a United projetou uma perspectiva mais forte, com Kirby sugerindo recentemente que períodos de custos mais altos poderiam permitir que companhias aéreas maiores e mais resilientes expandissem sua posição no mercado.

Apesar da magnitude da ideia, fontes das duas agências indicaram que há ceticismo dentro dos círculos governamentais sobre a aprovação de tal transação, dado seu potencial impacto sobre os preços das passagens e a concorrência.