O CEO da Airbus, Guillaume Faury, afirmou ao jornal Bild que as futuras aeronaves comerciais poderão se assemelhar mais a bombardeiros invisíveis aos radares como o B-2 Spirit do que aos jatos atuais.

Faury citou o potencial das configurações de asa integrada (BWB, do inglês “blended-wing body”) para proporcionar maior eficiência de combustível e redução de emissões em voos de longa distância. Uma aeronave de fuselagem larga seria “mais adequada” para o conceito, disse ele.

A Airbus vem avaliando a tecnologia BWB desde 2017, no âmbito da sua iniciativa ZEROe, que propõe integração da cabine de passageiros em uma estrutura de asa única e ampla.

Os testes de voo de um protótipo em escala em 2019 indicaram uma possível economia de combustível de aproximadamente 20%.

O conceito do jato de fuselagem em formato de asa deve voar em 2027 (JetZero)
O conceito do jato de fuselagem em formato de asa deve voar em 2027 (JetZero)

A empresa também está explorando a propulsão a hidrogênio para futuras aeronaves BWB, embora tenha adiado sua meta original de entrada em serviço, prevista para 2035, em até uma década devido a obstáculos de certificação e limitações de infraestrutura.

A concorrência de startups, no entanto, está se intensificando. A norte-americana JetZero mira operadores de aeronaves de fuselagem larga  com seu modelo Z4. O demonstrador Pathfinder, em escala reduzida, realizou um voo bem-sucedido em 2024.

A empresa também ganhou um contrato da Força Aérea dos EUA para financiar um protótipo em escala real.

Os protótipos que testaram o conceito da fuselagem que gera sustentação (NASA)
Os protótipos que testaram o conceito da fuselagem que gera sustentação (NASA)

A configuração BWB não é uma novidade, tendo nascido de estudos da NASA na década de 60 e que ajudaram no projeto do Ônibus Espacial.

Com uma fuselagem em formato de asa, esses aviões prometem uma aerodinâmica mais eficiente e um aproveitamento interno bem maior do que a configuração de fuselagem e asa separadas.

A instalação de motores no dorso também permite o uso de turbofans de qualquer diâmetro, uma restrição comum em aviões que os levam sob as asas.