O Brasil passou a integrar o restrito grupo de países com capacidade de produzir caças supersônicos com a apresentação, nesta quarta-feira (25), do primeiro F-39E Gripen montado em Gavião Peixoto (SP). A aeronave, FAB 4109, é a primeira de um lote de 15 unidades que serão finalizadas no país dentro do contrato de 36 jatos firmado com a Saab.
Hoje poucas nações têm linhas de montagem de aeronaves capazes de superar a barreira do som. Na América, por exemplo, apenas os Estados Unidos mantém fábricas de jatos supersônicos militares e na Europa esse privilégio se restringe a países como Suécia, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Itália e Turquia, esta última ainda prestes a colocar em produção seus primeiros jatos.
Mais do que a entrega simbólica, o programa revela a complexidade envolvida na produção de um avião de combate moderno, que exige integração de milhares de componentes, sistemas críticos e uma cadeia industrial distribuída entre Brasil e exterior.
Cada Gripen E reúne cerca de 22.500 itens, incluindo estruturas, aviônicos, sensores e sistemas de missão. A aeronave incorpora aproximadamente 45 km de cabeamento elétrico e cerca de 350 metros de tubulações, números que ajudam a dimensionar a densidade técnica do projeto.

A montagem segue uma sequência industrial em múltiplas etapas. Inicialmente, grandes seções da fuselagem são unidas, incluindo partes produzidas no Brasil, como componentes estruturais fabricados pela Saab Aeronáutica Montagens. Em seguida, a aeronave passa pela instalação de tanques de combustível, selagem e testes de pressurização.
Na fase seguinte, são realizadas medições geométricas para garantir o alinhamento estrutural, antes de o caça seguir para processos de pintura e proteção anticorrosiva. Já na montagem final, são integrados os sistemas, subsistemas e aviônicos, além da instalação completa do cabeamento e dutos.
O processo inclui ainda a instalação de softwares e a verificação funcional de todos os sistemas embarcados. Após essa etapa, o avião passa por testes de motor, avaliações em solo e voos de ensaio antes de ser considerado apto para entrega.

Potencial de exportação
Do ponto de vista técnico, o Gripen E é um caça supersônico com velocidade máxima de cerca de 2.470 km/h (Mach 2), peso máximo de decolagem de 16,5 toneladas e comprimento de 15,2 metros. A aeronave conta com dez pontos de fixação para cargas externas, incluindo mísseis, bombas e tanques de combustível.
O projeto também é marcado pela integração de sensores e sistemas em rede, com radar AESA, sistemas de guerra eletrônica e capacidade de fusão de dados, permitindo ao piloto operar com maior consciência situacional.

O Gripen E/F é considerado um caça de geração 4,5, ou seja, um pouco menos capaz e sofisticado que aeronaves como o F-35, um jato stealth (furtivo). Isso não tira mérito dele já que ele possui características próprias como simplicidade operacional e capacidade de operar em pistas menores e até rodovias.
A realização de uma linha de montagem nacional também abre uma janela de possibilidade que inclui exportação desses caças. A encomenda de Gripen da Colômbia, por exemplo, pode vir a ser apoiada pela estrutura brasileira.
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