A companhia aérea de ultra baixo custo dos EUA, Spirit Airlines, anunciou o encerramento suas operações após não conseguir apoio para um plano de resgate com aval do governo, tornando-se a primeira companhia aérea a colapsar em razão da recente disparada dos preços do querosene de aviação após o conflito no Irã.

A empresa suspendeu todos os voos neste sábado, 2, e anunciou o início de um processo ordenado de encerramento, orientando passageiros a não se dirigirem aos aeroportos. O fechamento ocorre após o fracasso nas negociações com credores sobre um pacote de financiamento de US$ 500 milhões, que tinha apoio do governo Trump.

A Spirit operava sob proteção contra falência (o chamado Capítulo 11) e tentava reestruturar suas operações, mas o aumento acentuado dos custos de combustível inviabilizou os planos. As projeções da companhia consideravam preços do querosene próximos de US$ 2,20 por galão, mas o valor à vista chegou a cerca de US$ 4,50 no fim de abril.

Segundo a empresa, a disparada do petróleo e outras pressões operacionais “afetaram significativamente” as perspectivas financeiras, tornando impossível continuar sem novo aporte.

Airbus A321 da Spirit Airlines (Tomás Del Coro)
Airbus A321 da Spirit Airlines (Tomás Del Coro)

A quebra representa a primeira liquidação de uma aérea norte-americana desse porte em cerca de vinte anos. No auge, a Spirit respondia por cerca de 5% dos voos domésticos e transportou 1,7 milhão de passageiros em fevereiro, embora sua participação de mercado tenha caído nos últimos meses.

O fechamento deve impactar milhares de empregos e alterar a concorrência no segmento de baixo custo. Rivais como JetBlue Airways e Frontier Airlines devem absorver parte da demanda, mesmo enfrentando as mesmas pressões de custos.

Dificuldades com aeronaves paradas e uma fusão fracassada

A Spirit construiu seu modelo de negócios em torno de tarifas ultrabaixas, cobrando separadamente por serviços como bagagem e seleção de assentos. Essa abordagem ficou sob pressão após a pandemia, à medida que as preferências dos passageiros mudaram para níveis mais altos de conforto e ofertas combinadas.

A companhia aérea vinha lutando para estabilizar suas finanças após entrar com pedido de recuperação judicial pela segunda vez em um ano. Ela buscou proteção contra falência pela primeira vez após o colapso de sua fusão planejada com a JetBlue Airways, que havia superado uma oferta anterior feita pela Frontier Airlines. Um juiz americano posteriormente bloqueou o acordo com a JetBlue por motivos antitruste, eliminando o que era visto como um possível caminho para o futuro.

JetBlue e Spirit
JetBlue e Spirit

Nos meses que antecederam a paralisação, a Spirit tomou uma série de medidas para preservar caixa, incluindo reduções de pessoal, venda de aeronaves e renegociação de contratos de leasing. A companhia aérea também estava tentando mudar seu modelo de negócios para passageiros de maior poder aquisitivo, abandonando sua abordagem tradicional de ultrabaixo custo baseada em taxas adicionais, mas esses esforços não conseguiram reverter sua trajetória financeira.

Problemas operacionais aumentaram a pressão. Um recall envolvendo motores GTF da Pratt & Whitney deixou parte da frota de Airbus da empresa em solo desde 2023, enquanto um mercado doméstico com excesso de oferta continuava a pressionar as tarifas. O recente aumento nos preços dos combustíveis agravou a situação, elevando os custos para uma companhia aérea com poder de precificação limitado e sem fontes de receita premium para compensar o impacto.

Autoridades americanas exploraram opções para manter a companhia aérea em operação. O presidente Donald Trump afirmou que o governo apresentou uma proposta final de resgate, mas as negociações foram interrompidas devido a divergências com os credores. O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse que os esforços para encontrar um comprador para a companhia aérea não tiveram sucesso.