Uma companhia aérea obscura registrada no Malawi de nome Rayoni Tourism Airline, também referida como Flytech Aviation Group, apareceu em registros não oficiais como nova proprietária de quatro Airbus A340-600 que voaram inicialmente com a Thai Airways.

Embora as aeronaves permaneçam armazenadas na China por enquanto, analistas suspeitam que elas possam ser desviadas para o Irã, potencialmente para integrar a frota da Mahan Air, uma companhia acusada há muito tempo de ajudar Teerã a contornar sanções internacionais.

Duas das aeronaves, agora apresentando uma pintura branca e registradas como 7Q-YAQ e 7Q-YAP, foram avistadas recentemente na China. O anterior proprietário era chinesa Hua An Aviation Parts, que foram registrados como 2-STNA, 2-STNB, 2-STNE e 2-STNF – eles estavam armazenados anteriormente em Taiyuan, na China.

A empresa iraniana Mahan Air agora é um dos maiores operadores do A340 (Papas Dos – Wikimedia Commons)
A empresa iraniana Mahan Air agora é um dos maiores operadores do A340 (Papas Dos – Wikimedia Commons)

Relatos afirmam que essas aeronaves passaram brevemente pelo registro de Guernsey no início de 2024 antes de desaparecer meses depois, aparentemente usadas apenas para facilitar seu deslocamento da Tailândia para a China.

Agora, com seu registro no Malawi, analistas suspeitam que o país africano está sendo utilizado como uma “bandeira de conveniência” para ocultar o verdadeiro destino dos jatos.

Plano de voo falso

A Flytech aparece associada a dois Embraer ERJ-145, dois Beechcraft 1900 e quatro Cessna Caravans, mas não menciona aeronaves de fuselagem larga. A única operação conhecida da empresa até agora foi o aluguel de um McDonnell Douglas DC-9 para a transportadora somali Aerojet.

Especialistas argumentam que adquirir quatro A340-600 – aeronaves enormes e sedentas de combustível, aposentadas pela maioria das companhias aéreas – não faz sentido comercial para uma empresa aérea iniciante com recursos limitados e sem uma rede de voos de longa distância.

Airbus A330-200 da Iran Air, um dos últimos novos entregues ao país (Kevin Hackert)
Airbus A330-200 da Iran Air, um dos últimos novos entregues ao país (Kevin Hackert)

Em vez disso, a manobra se encaixa em um padrão que o Irã já utilizou antes: obter aviões comerciais ocidentais mais antigos por meio de intermediários, re-registrá-los em países com supervisão fraca e, em seguida, levá-los ao Irã com planos de voo falsos.

Se confirmado, o caso representaria mais uma tentativa de Teerã de contornar as sanções de aviação dos EUA e da UE, utilizando empresas de fachada e mudanças de registro sigilosas para reabastecer sua envelhecida frota de voos de longa distância.