A Horizon Air, regional ligada à Alaska Airlines, deveria ter recebido dois novos jatos E175, de 76 lugares, em maio, mas as aeronaves não deixaram a fábrica da Embraer, em São José dos Campos (SP).

A razão é que a empresa aérea dos EUA teme que as tarifas de importação anunciadas pelo presidente Donald Trump aumentem e a obriguem a arcar com um custo extra não previsto.

Segundo a Alaska afirmou ao jornal The Seattle Times, ela não aceitará custos adicionais impostos pelas tarifas, que hoje estão em 10% no caso de vários países, incluindo o Brasil.

As entregas frustradas, por outro lado, obrigaram a Alaska Air a cancelar voos programados para o período de verão no hemisfério norte por falta de aviões.

A empresa não tem outros jatos E175 previstos para este ano, portanto sua frota permanecerá com 87 aeronaves, sendo 45 da Horizon e 42 operados pela SkyWest Airlines.

Boeing 787 da Hawaiian (HA)
Boeing 787 da Hawaiian (HA)

Grande cliente da Boeing, a Alaska espera receber mais sete 737 MAX e um 787, este para a Hawaiian Airlines, que foi adquirida recentemente pelo grupo. Os jatos da fabricante não são alvo das tarifas, obviamente.

Cancelamentos à vista na Spirit

Já a situação da companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines é mais complicada, afinal ela depende exclusivamente de aviões da Airbus.

A empresa aérea da Flórida teme, portanto, que as tarifas impostas para produtos europeus possam subir e com isso inviabilizar suas encomendas de aeronaves da família A320neo.

Em documento enviado à Comissão de Valores Imobiliários dos EUA, a Spirit relata o impacto negativo das tarifas, que podem chegar a 20% após o fim de uma pausa de 90 dias prevista para julho.

Airbus A320neo da Spirit (Tomás del Coro)
Airbus A320neo da Spirit (Tomás del Coro)

A empresa aérea, que acaba de sair do Capítulo 11 (concordata), avalia adiar ou mesmo cancelar a entrega de alguns aviões em virtude do custo extra e do ambiente econômico incerto.

A Airbus deve entregar quatro jatos da família A320neo para a Spirit em 2025, parte de uma encomenda de 92 aeronaves prevista até 2031.