A companhia aérea russa Nordwind Airlines neste domingo, 27, uma rota inédita e simbólica: voos diretos entre Moscou e Pyongyang.

A operação marca o retorno da conexão aérea regular entre as capitais da Rússia e da Coreia do Norte, encerrando um hiato de mais de três décadas sem voos comerciais programados entre os dois países.

O voo inaugural foi realizado com um Boeing 777‑200ER, com cerca de 440 passageiros a bordo. A operação, partindo do aeroporto de Sheremetyevo (SVO), levou cerca de oito horas até a capital norte-coreana. Inicialmente, os voos terão frequência mensal, com planos de expansão conforme a demanda.

Segundo autoridades russas, a tarifa inicial está fixada em torno de 44.700 rublos (aproximadamente US$ 560 por trecho), e os bilhetes do primeiro voo se esgotaram rapidamente, segundo a mídia local.

A nova ligação aérea é mais do que uma conexão logística: é também um gesto diplomático. Em meio ao isolamento internacional e às sanções mútuas com o Ocidente, Rússia e Coreia do Norte vêm fortalecendo laços estratégicos e militares.

A retomada dos voos acontece semanas após o restabelecimento de uma linha ferroviária entre os países, com trajeto de 10 dias entre Moscou e Pyongyang.

A Air Koryo, da Coreia do Norte, é um dos raros operadores do Tu-204/214 (Fedor Leukhin)
A Air Koryo, da Coreia do Norte, é um dos raros operadores do Tu-204/214 (Fedor Leukhin)

Voo de reciprocidade sem chance

A Nordwind, tradicionalmente voltada para voos charter e de médio alcance, assumiu um protagonismo normalmente reservado à Aeroflot ao operar uma rota que combina interesse político, projeção geopolítica e demanda pontual por conectividade direta.

Embora ainda limitada em frequência, a nova linha aérea pode se tornar uma peça importante na nova configuração das alianças estratégicas no leste da Ásia, ampliando o espaço aéreo russo-norte-coreano — até então praticamente inexistente.

A despeito de tratados bilaterais normalmente permitirem voos recíprocos entre companhias aéreas de dois países, a Coreia do Norte não tem no momento condições técnicas de voar para Moscou.

A frota da Air Koryo, transportadora estatal, se resume a dois antigos Tupolev An-204 e outros dois An-148, aeronaves fornecidas pela Ucrânia no passado. Nenhum deles têm autonomia para cobrir a distância sem escalas.