O CEO da Dassault Aviation, Éric Trappier, lançou um alerta sobre a necessidade de uma liderança mais clara no programa FCAS (Future Combat Air System), a iniciativa franco-alemã-espanhola voltada ao desenvolvimento de um caça de 6ª geração que integrará aeronaves tripuladas e drones autônomos.
Durante apresentação de resultados semestrais, Trappier criticou a burocracia do projeto, apontando que decisões cruciais continuam sendo aprovadas por consenso tripartite, gerando atrasos e complexidade.
Embora a Dassault, responsável pelo desenvolvimento do núcleo pilotado do sistema — um dos pilares da iniciativa — seja oficialmente considerada líder do programa, Trappier explicou que a governança ainda exige aprovação conjunta com os parceiros Airbus, representando Alemanha, e Indra, como parte da Espanha.

“Dizem que a Dassault é a líder, mas todas as decisões precisam ser tomadas entre os três países”, afirmou. Ele não chegou a ameaçar saída do projeto, mas disse que o futuro do FCAS está em risco: “Não se trata de deixar o programa, mas de decidir se ele continua ou não”, segundo relato da Reuters.
Apesar dos rumores, Trappier negou que a Dassault queira assumir 80% do controle do programa, orçado em mais de 100 bilhões de euros (US$ 117 bilhões). Segundo a publicação alemã Hartpunkt, o governo francês teria proposto a nova divisão aos parceiros alemães e espanhois, no que foi contestada.
Desde seu lançamento em 2017 por iniciativa dos governos Macron e Merkel, o FCAS tem sido palco de embates entre a Dassault e a Airbus, mas que anunciaram um acordo em 2022.
A sequência dessas disputas coincide com a aproximação de uma cúpula em Berlim entre Macron e o chanceler alemão, esperada nos próximos dias.
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