A Embraer está se preparando para anunciar a implantação de uma fábrica de aviões comerciais na Índia na próxima terça-feira, 27 de janeiro, de acordo com relatos da mídia local.
A instalação será uma parceria com a Adani Aerospace, parte do conglomerado controlado pelo bilionário indiano Gautam Adani. O anúncio está agendado para ocorrer no Ministério da Aviação Civil da Índia, um dia antes da abertura do evento Wings India 2026.
A ligação entre a Embraer e a Adani foi relatada no começo do mês por representantes da empresa indiana que afirmaram ter assinado um Memorando de Entendimento com a fabricante brasileira no final de 2025.
Além disso, a Embraer também deve divulgar seu primeiro pedido de aeronaves comerciais no mercado indiano durante o mesmo evento. Executivos da empresa já indicaram anteriormente que uma linha de produção local só seria viável se os compromissos totais alcançassem pelo menos 200 aeronaves.

Convites enviados à mídia local descrevem o projeto como um “desenvolvimento histórico” para o setor de aviação comercial da Índia e o enquadram como um marco dentro da estratégia Aatmanirbharata do país, que visa reduzir a dependência de importações em setores como aeroespacial, defesa, tecnologia e energia.
Atualmente, a Embraer fabrica suas aeronaves comerciais exclusivamente no Brasil, em sua sede em São José dos Campos (SP), apesar de anos atrás ter instalado uma linha de montagem na China. Os jatos executivos sáo montados tanto no Brasil quanto na Flórida, nos Estados Unidos, enquanto as aeronaves militares são produzidas na unidade de Gavião Peixoto.
Mercado promissor
Em 2025, a empresa deu vários passos para fortalecer sua presença na Índia, incluindo a criação de uma subsidiária local e a abertura de um escritório em Nova Délhi.
Mais tarde, a Embraer assinou um acordo de cooperação estratégica com o Mahindra Group focado na comercialização, industrialização e desenvolvimento na Índia da aeronave de transporte militar KC-390 Millennium.
O fabricante está competindo por um contrato para a Força Aérea Indiana que visa fornecer entre 40 e 80 aeronaves de transporte, um programa que exige participação industrial local e fabricação no país, de acordo com as normas do governo indiano.
Na aviação comercial, o anúncio potencial na Índia ocorre enquanto a Embraer busca consolidar uma recuperação que começou no segundo semestre de 2025.

Até o início do ano passado, a divisão era tida como o segmento mais fraco da empresa. Essa percepção começou a mudar após um pedido firme de 45 aeronaves da Scandinavian Airlines anunciado em julho.
Um pedido de grande escala na Índia poderia reforçar ainda mais esse impulso e apoiar a meta da Embraer de entregar entre 100 e 110 aeronaves comerciais por ano até 2030. Em 2025, as entregas totalizaram 78 aeronaves, melhor marca pós-pandemia.
O timing do esperado anúncio de parceria é sensível. De acordo com o Financial Times, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA recentemente buscou aprovação judicial em Nova York para contatar Gautam Adani diretamente como parte de uma investigação sobre suposta corrupção ligada a contratos de energia solar na Índia. Adani e seu sobrinho, Sagar Adani, negaram qualquer irregularidade.
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