A Embraer divulgou na quarta-feira, 10, suas previsões para 2022. A fabricante de aviões brasileira espera entregar entre 60 e 70 aeronaves comerciais neste ano além de 110 jatos executivos.

São metas bastante significativas em relação a 2021, mas ainda distantes do patamar pré-pandemia. Caso atinja 70 jatos comerciais entregues, a companhia terá ampliado as entregas em 46% se comparado a 2021. No entanto, são números bem inferiores a 2019 (89 aviões) e 2016 (108 aeronaves).

Já o crescimento de entregas de aviões executivos será mais modesto, de 18% - foram 93 aeronaves no ano passado. A companhia brasileira apresentou dados positivos em 2021 após um período de contratempos com o fim da parceria com a Boeing e os efeitos da Covid-19.

Embraer E175 da Envoy Airlines
Embraer E175 da Envoy Airlines

Segundo ela, a carteira de pedidos atingiu o nível mais alto desde o segundo trimestre de 2018, com US$ 17 bilhões. As receitas líquidas atingiram US$ 4,2 bilhões, alta de 11% - liderados pela aviação comercial com 32% de participação, mas com boa presença da aviação executiva (27%), serviços (27%) e defesa e segurança (14%).

A empresa também conseguiu alongar sua dívida de US$ 4 bilhões e no fim terminou o ano passado com um prejuízo pequeno de US$ 29 milhões.

Segundo o CEO Francisco Gomes Neto, o plano é voltar a ter lucro líquido em 2022 diante da perspectiva de uma receita líquida de US$ 5bilhões.

Titânio não é um problema

Os executivos da Embraer explicaram em entrevista que a quantidade de aviões da empresa na Rússia é pequena, de 60 aeronaves, quase todas pertencentes à empresa de leasing do exterior.

Embraer Praetor 600 - Flexjet
Embraer Praetor 600 - Flexjet

A empresa está seguindo as sanções impostas pelo Ocidente para deixar de contar com o titânio fornecido pelos russos. Segundo a Embraer, dois terços do material vem da Rússia, mas há estoques para 18 a 24 meses de produção - novos fornecedores estão sendo buscados.

Gomes Neto também afirmou que a previsão menos precisa é causada por incertezas em relação aos fornecedores de componentes.

O CEO da Embraer fez questão de reforçar que as estimativas para 2022 não incluem a Eve, subsidiária de Mobilidade Aérea Urbana que tem sido o grande destaque da companhia nos meses recentes.

A Embraer acredita que a conclusão da fusão da Eve com o Zanite Acquisition Corp ocorrerá durante o segundo trimestre deste ano, abrindo caminho para a listagem da empresa na Bolsa de Valores de Nova York.

Serão investidos cerca de US$ 500 milhões no projeto e que a Eve terá um valor nominal de US$ 2,4 bilhões.

A Eve pode valer mais que a Embraer
A Eve pode valer mais que a Embraer