A United Airlines adicionou nova incerteza à sua antiga encomenda de 45 jatos Airbus A350 ao revelar uma disputa contratual com a Rolls-Royce, fabricante exclusiva dos motores que equipam o jato de longo curso.
Em documento regulatório, a companhia informou estar em desacordo com a empresa britânica em relação a um contrato de longo prazo para fornecimento de motores e serviços de manutenção, assinado em 2010, revelou a Reuters.
A United afirmou ter pago US$ 175 milhões antecipadamente à Rolls-Royce em 2017 e alegou que a fabricante descumpriu o acordo em dezembro do ano passado, motivo pelo qual está exigindo a devolução do valor, acrescida de compensação adicional.
A Rolls-Royce negou qualquer violação contratual e declarou ter cumprido suas obrigações previstas no acordo. As duas empresas indicaram que a questão está agora em discussão no âmbito legal.
No mesmo documento, a United manteve os 45 A350 em sua carteira de pedidos, com previsão genérica de entrega após 2027, mas deixou de indicar qualquer cronograma específico. Em registros anteriores, a companhia apontava entregas previstas após 2026.

Como a Rolls-Royce é a única fornecedora de motores para a família A350, a disputa pode afetar a viabilidade da introdução do modelo na frota da United caso não haja solução.
A encomenda do A350 remonta a 2009, antes da fusão da United com a Continental Airlines. Desde então, o pedido passou por reestruturações e adiamentos ao longo de 16 anos, sem que o modelo tenha sido tratado como prioridade imediata na estratégia de frota da empresa.
O CEO da United, Scott Kirby, declarou em setembro de 2025 que a companhia pretendia anunciar uma decisão sobre o A350 até o fim daquele ano. A aérea já havia indicado que a definição sobre o jato está ligada às suas necessidades de substituição de widebodies no longo prazo, especialmente para renovar aeronaves mais antigas como os Boeing 767 e 777.
Os sucessivos adiamentos alimentaram especulações de que a United poderia cancelar a encomenda ou convertê-la para outros modelos da Airbus, como aeronaves da família A321neo, que a companhia vem incorporando em grande número.
Aviação Comercial

