Os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre o governo canadense para que o país siga adiante com a compra do caça F-35 Lightning II, alertando que uma eventual desistência pode ter consequências diretas para a cooperação em defesa aérea da América do Norte.
Em janeiro de 2023, o Canadá assinou um contrato estimado em 19 bilhões de dólares canadenses para a aquisição de 88 caças F-35A, destinados a substituir os CF-18 da Royal Canadian Air Force (RCAF). O plano previa entregas em quatro lotes até 2032. Até o momento, 16 aeronaves já foram pagas e devem ser entregues conforme o cronograma original.
Após assumir o cargo em março, o primeiro-ministro Mark Carney determinou uma revisão do programa, em meio ao agravamento das relações com Washington. O governo canadense avalia se seguirá com a compra das 72 aeronaves restantes ou se adotará uma solução alternativa.

A discussão ganhou novo peso após declarações do embaixador dos Estados Unidos no Canadá, Pete Hoekstra, que afirmou que mudanças no plano de aquisição poderiam afetar diretamente o funcionamento do NORAD, o comando conjunto responsável pela vigilância e defesa do espaço aéreo dos dois países. Segundo ele, caso o Canadá reduza sua participação, os Estados Unidos teriam de ampliar sua própria presença aérea no espaço canadense para cobrir eventuais lacunas.
O NORAD opera com base na integração de sensores, radares, satélites e aeronaves de combate dos dois países, permitindo que o caça mais próximo — independentemente da nacionalidade — responda primeiro a uma ameaça. Essa interoperabilidade é considerada um dos pilares da defesa aérea continental.
Saab oferece o avião-radar GlobalEye no pacote
Paralelamente à revisão do programa F-35, o Canadá voltou a analisar a proposta da Saab, que oferece até 72 caças Gripen E/F, acompanhados por seis aeronaves de vigilância GlobalEye. A empresa sueca destaca a possibilidade de produção local, transferência de tecnologia e geração de empregos no setor aeroespacial canadense.
A Saab afirma que o pacote poderia resultar em milhares de postos de trabalho no país, incluindo a participação da Bombardier em uma eventual linha de produção sob licença. O Gripen, no entanto, não integra o mesmo ecossistema operacional do F-35, o que levanta questionamentos sobre interoperabilidade em missões conjuntas com os Estados Unidos.

Autoridades americanas deixaram claro que a escolha de um caça diferente do F-35 exigiria uma reavaliação da estrutura operacional do NORAD, uma vez que o Gripen não compartilha os mesmos sistemas, sensores e padrões de integração da aeronave de quinta geração da Lockheed Martin.
Dentro das Forças Armadas canadenses, há defensores do F-35 que apontam a necessidade de operar um caça de quinta geração diante do avanço tecnológico de potências como Rússia e China. Avaliações anteriores do próprio Ministério da Defesa do Canadá atribuíram ao F-35 a pontuação mais alta em capacidade militar entre os concorrentes analisados.
Enquanto o debate segue em Ottawa, a decisão final sobre a frota futura da RCAF passou a ter implicações que vão além da substituição dos CF-18, envolvendo diretamente a arquitetura de defesa aérea da América do Norte e o grau de integração militar entre Canadá e Estados Unidos.
Aviação Militar

