Os Estados Unidos estão pressionando Portugal a escolher o Lockheed Martin F-35 Lightning II como substituto da frota de caças F-16 Fighting Falcons.
O embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo, afirmou que o jato furtivo de quinta geração garantiria interoperabilidade com as principais forças aéreas europeias e fortaleceria a posição de Portugal dentro da OTAN. Em entrevista à CNN Portugal, Arrigo descreveu o F-35 como o “melhor caça” e disse que a aeronave colocaria a Força Aérea Portuguesa “na Liga dos Campeões” das forças armadas europeias.
Portugal ainda não lançou formalmente seu programa de substituição. O Ministro da Defesa, Nuno Melo, afirmou em novembro que o processo de seleção ainda não havia começado.

A pressão de Washington ocorre após Portugal abrir discussões com a Saab da Suécia sobre o Gripen E/F e com a Dassault Aviation da França sobre o Rafale. Esses contatos surgiram após a incerteza política em 2025, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou o apoio americano de certos compromissos da OTAN, levando vários governos europeus a reavaliar a dependência de longo prazo das plataformas de defesa dos EUA.
A frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa, recebida originalmente na década de 1990, passou por atualizações, mas enfrenta restrições de fim de vida na próxima década. Qualquer decisão de substituição moldaria as capacidades de combate aéreo do país para os próximos 30 a 40 anos.
Arrigo também instou Lisboa a aumentar os gastos com defesa em direção à meta da OTAN de 5% do produto interno bruto até 2035, em comparação com cerca de 2% atualmente, alinhando-se à pressão de Washington por uma maior divisão de responsabilidades na Europa.

O debate sobre caças se desenrola em meio a considerações geopolíticas mais amplas. Portugal aderiu à Iniciativa do Cinturão e Rota da China em 2018, e o investimento chinês se expandiu no país após o resgate da crise da dívida soberana de 2011 a 2014.
Embora Arrigo tenha afirmado que Washington não exigia que Lisboa rompesse laços com Pequim, ele posicionou os Estados Unidos como o parceiro estratégico preferido de Portugal.
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