Os Estados Unidos realizaram o primeiro transporte aéreo de um microreator nuclear em uma aeronave militar, em uma iniciativa que envolve os departamentos de Energia e Defesa para demonstrar a viabilidade de deslocar rapidamente esse tipo de tecnologia para diferentes regiões.
O equipamento, desenvolvido pela empresa americana Valar Atomics, foi embarcado em um cargueiro C-17 Globemaster III sem combustível nuclear e transferido da Califórnia para a Base Aérea de Hill, em Utah. A operação teve como objetivo validar procedimentos logísticos e operacionais necessários para o uso futuro de pequenos reatores em ambientes militares ou civis isolados.
O modelo transportado, denominado Ward, tem capacidade projetada de até 5 megawatts, potência suficiente para abastecer cerca de 5.000 residências. Segundo a empresa, a unidade iniciará testes com geração reduzida ainda este ano, começando em 100 quilowatts, podendo atingir 250 quilowatts antes de avançar gradualmente até a capacidade total. O combustível nuclear será enviado separadamente a partir de uma instalação federal em Nevada para o local de testes em Utah.
Autoridades americanas defendem que microreatores podem reforçar a segurança energética de bases militares, reduzindo a dependência da rede elétrica civil e de cadeias de suprimento vulneráveis ao transporte de combustíveis fósseis. O governo Trump incluiu a expansão da energia nuclear entre suas prioridades estratégicas, emitindo ordens executivas para acelerar o desenvolvimento de reatores avançados e revisar processos regulatórios.

O Departamento de Energia também concedeu incentivos financeiros para estimular projetos de reatores modulares e microreatores, com a meta de colocar três unidades em estado de criticidade — quando a reação nuclear se sustenta sozinha — até julho. A iniciativa é apresentada como parte de um esforço para atender à crescente demanda energética associada a centros de dados, inteligência artificial e infraestrutura de defesa.
Especialistas do setor, no entanto, questionam a viabilidade econômica da tecnologia. Críticos afirmam que microreatores podem produzir eletricidade a custos superiores aos de grandes usinas nucleares e de fontes renováveis, além de gerarem resíduos radioativos que exigem soluções permanentes de armazenamento.
O governo informou ainda que mantém discussões com alguns estados sobre possíveis locais para reprocessamento ou destinação final de combustível nuclear, enquanto o projeto segue em fase de testes operacionais.
Aviação Militar

