A Administração Federal de Aviação (FAA), dos EUA, afirmou não se considerar o principal entrave para a certificação, já bastante atrasada, dos modelos 737 MAX 7 e 737 MAX 10, da Boeing. As declarações foram feitas nesta semana pelo administrador da agência, Bryan Bedford, e divulgadas pela Reuters.

Após participar de um evento público em Washington, Bedford disse que a FAA tem alocado recursos significativos para apoiar o processo de certificação, mas ressaltou que as etapas pendentes são de responsabilidade da fabricante. Segundo ele, a agência pode auxiliar, mas não pode executar, em nome da Boeing, as tarefas exigidas para a aprovação final dos modelos, que seguem em análise.

O MAX 7 e o MAX 10, respectivamente o menor e o maior integrantes da família 737 MAX, acumulam sucessivos atrasos. Entre os principais fatores estão um problema ainda não solucionado no sistema de descongelamento dos motores e o aumento da fiscalização regulatória sobre os processos de produção e controle de qualidade da Boeing.

No início deste mês, o MAX 10 recebeu autorização para avançar para uma nova fase de testes de voo, etapa necessária antes da conclusão da certificação. Executivos da Boeing afirmam manter a expectativa de que ambos os modelos sejam aprovados ao longo de 2026.

Jato 737 MAX 7 (Boeing)
Jato 737 MAX 7 (Boeing)

A Boeing soma mais de 1.200 pedidos firmes do MAX 10, o que torna a aeronave estratégica para sua carteira de jatos de fuselagem estreita. Mesmo diante dos atrasos, companhias aéreas seguem confirmando encomendas, entre elas a Alaska Airlines, que recentemente se comprometeu com a compra de mais de 100 unidades do modelo.

A FAA também tem reduzido gradualmente as restrições impostas à produção do 737 MAX. No fim de 2025, a agência autorizou a Boeing a elevar a produção mensal para 42 aeronaves, encerrando um limite mais baixo que vigorava desde o início de 2024.

Bedford acrescentou que a FAA está revisando aspectos de seus próprios processos de certificação e trabalhando com a indústria em projetos internos de escopo limitado para identificar possíveis ganhos de eficiência. Ele não indicou, contudo, se essas iniciativas poderão resultar em mudanças estruturais.