A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu em 24 de fevereiro uma diretiva de aeronavegabilidade (AD) aplicável a todos os Boeing 737-8, 737-9 e 737-8200, todos da série MAX, após relatos de eventos em voo envolvendo temperaturas excessivas na cabine e no cockpit que não puderam ser controladas pelos procedimentos existentes.

A ordem, que entrou em vigor imediatamente, determina que as companhias aéreas revisem o Manual de Voo da Aeronave (AFM) para incluir novos procedimentos “não normais” a serem seguidos caso ocorra o disparo de um disjuntor específico no sistema elétrico da aeronave. A FAA está aceitando comentários públicos até 10 de abril.

Segundo o órgão regulador, duas ocorrências foram registradas com temperaturas excessivas na cabine e no flight deck. A investigação apontou que o problema está relacionado ao disparo do disjuntor BAT BUS SECT 2 (CB3062), localizado na unidade de controle de energia de reserva (Standby Power Control Unit – SPCU).

Esse circuito fornece energia para funções de ar-condicionado e pressurização, incluindo válvulas de controle de fluxo dos sistemas de ar, proteção contra superaquecimento e controle manual da pressão da cabine. Quando o disjuntor é acionado, um sinal elétrico incorreto pode levar ao fechamento das portas de deflexão do ar de resfriamento (“ram air deflector doors”), reduzindo o fluxo de ar que resfria os trocadores de calor do sistema de ar-condicionado.

Com menor resfriamento, o sistema pode fornecer ar excessivamente quente à cabine e ao cockpit, criando uma situação potencial de temperatura incontrolável. A FAA afirma que, se não tratada, a condição pode resultar em lesões ou incapacitação de tripulantes e passageiros, comprometendo a condução segura do voo e do pouso.

Cabine de voo do Boeing 737 MAX
Cabine de voo do Boeing 737 MAX

A diretiva exige que as operadoras atualizem o AFM em até 30 dias para incluir procedimentos que envolvem descida controlada, tentativa de rearmar o disjuntor afetado e, se necessário, desligamento dos sistemas de sangria de ar dos motores. A medida é considerada provisória, enquanto a fabricante desenvolve uma solução técnica definitiva.

A FAA justificou a adoção imediata da regra, sem o período prévio usual de consulta pública, citando risco à segurança operacional. A agência estima que 771 aeronaves registradas nos Estados Unidos sejam afetadas. O custo estimado para a revisão do manual é de US$ 85 por aeronave.

Em comunicado à imprensa especializada, a Boeing afirmou que identificou a causa raiz como uma falha de aterramento (“ground wire fault”) no sistema de ar-condicionado. A fabricante disse estar desenvolvendo uma solução de engenharia para eliminar a possibilidade dessa falha elétrica e que a modificação será incorporada aos 737 MAX 8 e 9, além de estar pronta para os modelos 737 MAX 7 e 10 antes de sua certificação.

Segundo a Boeing, versões anteriores do 737 não são afetadas pela questão. No Brasil, apenas a GOL Linhas Aéreas voa com jato Boeing 737 MAX.