A Força Aérea Brasileira (FAB) negocia a aquisição de caças Saab Gripen C/D usados para ampliar sua frota diante de limitações orçamentárias e atrasos no programa de modernização, apontou reportagem do jornal Folha de São Paulo.
As tratativas consideram a compra de até 12 unidades usadas além seis novos Gripen E/F. A FAB também avalia como alternativa caças F-16 para evitar um possível déficit operacional até a entrega final dos aviões, prevista para 2032.
O comandante da FAB, Marcelo Damasceno, esteve nos últimos dias em Estocolmo para discutir a cooperação militar com a Suécia. O objetivo é buscar uma solução intermediária para manter a capacidade de defesa aérea do Brasil, diante do atraso na entrega dos 36 Gripen E/F adquiridos em 2014.
O aditivo contratual em negociação pode ampliar a frota para até 50 unidades, com uma proposta mista de aeronaves usadas da geração anterior (C/D) e novas, diante das restrições de recursos.

A FAB demonstrou interesse no ano passado em incorporar caças F-16 usados, de estoques da Força Aérea dos EUA (USAF). Essa alternativa é considerada em segundo plano caso haja dificuldades na negociação com a Suécia ou limitação na disponibilidade de aeronaves Gripen C/D.
A Suécia, por sua vez, enfrenta desafios de disponibilidade, já que menos de 70 dos 96 Gripen em sua frota estão operacionais, o que restringe a cessão de unidades.
Custos em elevação e restrições orçamentárias
O programa Gripen no Brasil enfrenta aumento de custos devido a aditivos contratuais, que elevaram o valor total em 13,43% desde 2014. Segundo dados da FAB, os aditivos corresponderam ao equivalente a seis aeronaves adicionais. O novo aditivo em discussão pode adicionar cerca de R$ 5 bilhões ao contrato original, refletindo a necessidade de ajustes diante dos atrasos e limitações orçamentárias.

Os atrasos orçamentários já impactaram a entrega das aeronaves, com o último Gripen E/F agora previsto apenas para 2032, oito anos após o cronograma inicial.
As resitrções têm afetado o treinamento dos pilotos, que vêm acumulando menos horas de voo do que o desejado pela FAB, o que pode comprometer a prontidão operacional.
O Gripen C/D é uma versão anterior do caça sueco, equipada com aviônicos e sistemas de armas distintos do modelo E/F, atualmente em produção para o Brasil. A eventual adoção de unidades usadas requer adaptações logísticas e de treinamento, mas oferece uma alternativa de curto prazo para suprir a frota durante a transição.
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