A França deve arcar sozinha com o desenvolvimento da variante F5 do caça Dassault Rafale após o fim das negociações com os Emirados Árabes Unidos sobre um possível apoio do país, segundo o jornal La Tribune.

A negociação poderia ter se transformado numa contribuição multibilionária de Abu Dhabi para a próxima evolução do caça. Com isso, aumenta a pressão sobre o orçamento de defesa da França, em meio ao acirramento do clima político na Europa.

As discussões estagnaram sobre o nível de acesso que os Emirados Árabes Unidos teriam a tecnologias sensíveis ligadas ao programa. Funcionários emirati buscaram um envolvimento mais profundo no trabalho de desenvolvimento, incluindo áreas como optrônica, mas as autoridades francesas acabaram por recusar esse nível de participação.

O primeiro Rafale dos Emirados Árabes Unidos (FG)
O primeiro Rafale dos Emirados Árabes Unidos (FG)

O Rafale F5 pretende ser um grande salto em relação aos padrões atuais, combinando atualizações em sensores, guerra eletrônica e propulsão com novas capacidades de missão. Entre as melhorias planejadas estão um radar baseado em nitreto de gálio, um sistema de guerra eletrônica SPECTRA redesenhado e sistemas aprimorados de busca e rastreamento infravermelho.

A aeronave também deve integrar tanques de combustível conformais e transportar o futuro míssil nuclear ASN4G da França, que está sendo desenvolvido como uma arma hipersônica para o sistema de dissuasão estratégico do país.

Impulsionando a nova variante estará o motor M88 T-REX atualizado da Safran, projetado para fornecer um empuxo significativamente maior sem grandes mudanças nas dimensões externas do motor. O aumento visa apoiar tanto os ganhos de desempenho quanto o peso adicional associado a novos sistemas.

Rafale e o drone de combate stealth
Rafale e o drone de combate stealth

Drone de combate furtivo

As autoridades francesas já autorizaram recursos em contratos de desenvolvimento para o programa, com a entrada em serviço prevista para cerca de meados da década de 2030.

Juntamente com o caça, a França delineou planos para um drone de combate furtivo projetado para operar em conjunto com o Rafale, particularmente em missões de supressão de defesas aéreas inimigas. No entanto, esse esforço ainda está em um estágio inicial e carece de uma decisão formal de lançamento, com apenas um financiamento limitado alocado até agora.

A situação ocorre em um momento em que o projeto FCAS, para uma plataforma de combate de próxima geração em parceria com a Alemanha e a Espanha, está em um impasse. O sucessor do Rafale é esperado do programa por volta de 2040.

Apesar do colapso nas negociações do F5, os laços de defesa entre a França e os Emirados Árabes Unidos permanecem ativos. Abu Dhabi é o maior cliente externo do Rafale, com um pedido de 80 aeronaves de padrão F4 assinado em 2021 e compras adicionais ainda em discussão.