Val Miftakhov, fundador e diretor-presidente da empresa ZeroAvia, deixou o cargo de liderança após quase uma década à frente da empresa.

A startup voltada ao desenvolvimento de propulsores a hidrogênio, anunciou em 29 de maio que Miftakhov deixou a posição de CEO três dias antes para buscar novas oportunidades.

Ele permanece no conselho de administração da ZeroAvia e continuará apoiando a estratégia de longo prazo da companhia.

A presidente do conselho, Christine Ourmieres-Widener, assumiu a responsabilidade pelas operações diárias enquanto o conselho busca um sucessor permanente.

A transição de liderança ocorre em um período desafiador para a ZeroAvia, que nos últimos anos desenvolve sistemas de propulsão hidrogênio-elétrico para aeronaves regionais. Embora a empresa tenha alcançado marcos técnicos importantes, como os voos de teste do powertrain ZA600, as metas de certificação vêm sendo adiadas sucessivamente.

Val Miftakhov (ZeroAvia)
Val Miftakhov (ZeroAvia)

A ZeroAvia atualmente projeta obter a certificação do sistema de célula a combustível ZA600 em 2027. A aprovação do sistema completo de propulsão deve ocorrer posteriormente, dependendo da disponibilidade de recursos financeiros. A empresa também desenvolve o powertrain ZA2000, voltado para aeronaves de maior capacidade.

A startup passou por uma reestruturação significativa no último ano ao buscar preservar caixa e alinhar os gastos às prioridades de desenvolvimento. As operações nos Estados Unidos e no Reino Unido foram impactadas por cortes de pessoal que resultaram na eliminação de cerca de metade dos funcionários.

Ilustração do CRJ 700 com motores ZA2000-RJ (ZeroAvia)
Ilustração do CRJ 700 com motores ZA2000-RJ (ZeroAvia)

Apesar dessas medidas, a ZeroAvia garantiu novo investimento no final de 2025 por meio de uma rodada de financiamento com participação de investidores atuais e novos, o que proporcionou recursos adicionais para avançar no desenvolvimento da tecnologia movida a hidrogênio.

Miftakhov fundou a ZeroAvia em 2017 com o objetivo de levar a propulsão hidrogênio-elétrica à aviação comercial. Sob sua liderança, a empresa tornou-se um dos nomes mais visíveis do setor, atraindo apoio de companhias aéreas, fabricantes de aeronaves e órgãos governamentais interessados em alternativas de menor emissão aos sistemas de propulsão convencionais.

O próximo grande desafio da empresa será transformar o avanço tecnológico em produtos certificados, enquanto o setor de aviação com hidrogênio ainda enfrenta dúvidas sobre infraestrutura, exigências de certificação e ritmo de adoção comercial.