A Abra, holding que controla a GOL Linhas Aéreas, anunciou o encerramento das discussões para uma possível combinação de negócios com a Azul Linhas Aéreas.

A decisão ocorre após meses de negociações sem avanços concretos e impacta acordos de cooperação entre as companhias. Em comunicado enviado a acionistas, a GOL compartilhou uma carta que foi endereçada à direção da Azul.

As conversas começaram formalmente após a assinatura de um Memorando de Entendimentos em janeiro de 2025, seguido de um Acordo de Confidencialidade em abril do mesmo ano. O principal entrave, segundo a Abra, foi o foco da Azul em seu próprio processo de reestruturação financeira sob o Chapter 11, nos Estados Unidos, o que limitou o progresso das tratativas.

Além de encerrar a possibilidade de fusão ou outra forma de combinação societária, a GOL também notificou a Azul sobre o pedido de rescisão dos acordos de codeshare firmados entre as duas empresas em maio de 2024. Esses acordos permitiam que ambas comercializassem voos em rotas operadas pela parceira, ampliando a oferta de destinos aos clientes.

John Rodgerson (sentado à esquerda) ao lado Jerome Cardier (LATAM) e acompanhado de Celso Ferrer (Gol) e da presidente da ABEAR, Jurema Monteiro
John Rodgerson (sentado à esquerda) ao lado Jerome Cardier (LATAM) e acompanhado de Celso Ferrer (Gol) e da presidente da ABEAR, Jurema Monteiro

A GOL informou que irá honrar todos os bilhetes já comercializados dentro dessa parceria, mas não divulgaram prazo para a conclusão do encerramento do codeshare. A decisão ocorre em um momento de recuperação da participação de mercado pela GOL, que recentemente deixou o próprio processo de Chapter 11 e busca fortalecer sua posição no setor doméstico brasileiro.

A Azul, até o momento da publicação, não havia se manifestado oficialmente sobre o encerramento das negociações e da parceria comercial.

As duas companhias têm perfil de malha de voos distintos, além de operarem aviões de fabricantes diferentes, a GOL com frota exclusiva de jatos Boeing 737 e a Azul com um mix que inclui widebodies A330, modelos da família A320 e os E-Jets da Embraer das gerações E1 e E2.

As dificuldades de ambas coincidiram com o avanço da LATAM no mercado, que já voltou a deter mais de 40% da demanda doméstica no Brasil.